O vidro e a pedra

por Roberto Drumond

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Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor.

Embora a propaganda eleitoral tenha começado apenas ontem, essa semana emissoras de TV e de rádio, bem como os principais jornais do país destacaram os candidatos ao governo federal.

Não quero manifestar minha preferência por qualquer um que seja, quero apenas registrar o que vi. Enquanto um candidato era tratado como vidraça, os demais tiveram a oportunidade de se transformar em pedras. Reconheço, não teria como ser diferente.

No exercício de seu mandato qualquer político é uma vidraça fácil de ser atingida. Não importa o quanto possa ter feito de bom, o ruim sempre será o destaque e o que causará maior desconforto. Os demais, mesmo tendo ocupado no passado postos de governo, foram tratados com condescendência e, em alguns momentos, até com uma cumplicidade suspeita.

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Ao mandatário a cobrança severa de projetos não realizados, de declarações estapafúrdias e outras questões visivelmente destinadas a gerar constrangimento. Dos demais a citação suave de situações do passado, aparentemente muito mais destinadas a gerar explicações e justificativas do que efetivamente demonstrar, na perspicácia das perguntas, a revelação da personalidade ou a competência para governar.

De resto foram, de parte a parte, conversas vazias de projetos viáveis. Todos demonstrando excelentes intenções, mas com pouca possibilidade de serem factíveis, aliás como tem sido todas as campanhas eleitorais desde a famigerada Lei Falcão que instituiu a regulação do uso da propaganda eleitoral de modo a não permitir o crescimento das oposições. A lei Falcão desapareceu, mas deixou rastros nas campanhas que se sucederam.

Todos os candidatos que se apresentaram ofereceram ao espectador dados imprecisos, demonstrando a disposição de enganar ou, no mínimo, desafiar a inteligência do eleitor. A polarização que estamos assistindo é uma das consequências do radicalismo que os próprios políticos estão impondo com as imprecisões.

Parece que os políticos pretendem, ao invés de desenvolver o bom senso do cidadão, conduzi-lo por uma senda que verta de um lado ou de outro, ignorando a mensagem dos antigos que ditava “in media is sapiens” (a sabedoria está no meio).

Enquanto persistirem os duelos entre os três poderes, enquanto não houver a tão desejada harmonia entre eles, a tendência será a dualidade que tem, não só provocado a sangria da paciência do brasileiro, mas também a sua antipatia pelas soluções políticas e o seu consequente afastamento do ideal democrático.

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