pré-candidatos
Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor. Em texto de opinão ele analisa a situação dos funcionários públicos de Santa Isabel

Essa semana fui convidado a participar de um programa de entrevista na internet. Durante a conversa fiz um comentário que levou muita gente a me questionar, pedindo esclarecimentos. O que eu disse foi que a população tem de saber quem ela elegeu para governar e que o governo não apenas merece críticas, mas também elogios.

Opiniões Roberto Drumond

Para exemplificar recorro aos manuais de educação infantil. Se você não estimula uma criança, através da explicação, recompensando quando ela acerta, elogiando quando faz bem feito e criticando quando ela erra, ela jamais será uma criança feliz, integrada à sociedade e agirá de forma proativa. Se ao contrário: a elogia sempre, critica de modo educado quando ela erra e ensina tudo o que você sabe que é bom, ela cresce com sabedoria.

Creio que as cidades e os governantes são como crianças e cabe à sociedade através da imprensa apontar os erros e os acertos com a confiança de que, agindo com boa e legítima intenção, terá como retorno além do reconhecimento, a correção dos eventuais apontamentos.

Na história de Santa Isabel temos visto que sucessivos governantes foram vítimas de críticas tão ácidas que além de os prejudicarem politicamente, os impediram de dar o melhor de si. Isso conduziu a população a também somente ver a crítica, sem reconhecer os valores positivos reduzindo a autoestima dos próprios isabelenses, que passaram a sofrer do complexo de inferioridade, porque nada na cidade dá certo.

Nessa semana uma inserção na internet mostrava a capa do jornal Ouvidor com manchetes que nunca publicaríamos, tanto pela linguagem como pelo conteúdo. Só apontava os aspectos negativos: mentira? Nem tudo! Mas um direcionamento que interessava apenas a uma condição política, a da oposição. Aquela que visa exatamente desvalorizar a administração pública, cega aos valores positivos e, o que é pior, sem dar o direito à manifestação ou à explicação.

É uma campanha que, destinada a objetivos políticos, imprime sobre a população a desconfiança e reforça a ideia de que políticos não prestam.

Nos países mais evoluídos não se vê uma imprensa com o engajamento político partidário como a que temos visto por aqui. Quando a imprensa aponta um erro, o faz com tal assertividade que dificilmente o político consegue resistir no cargo. Tivemos o caso recente na Inglaterra onde o Boris Johnson perdeu o cargo de liderança do partido conservador por causa de uma festa no período de pandemia.

No programa de entrevista que participei e que está disponível nas redes sociais, falei e repito aqui: não cabe a imprensa julgar ninguém, é importante que ela e o leitor saibam distinguir a informação da opinião. São conhecimentos tão diferentes que aqui, em nosso e em outros bons jornais, ocupam espaços diferentes, como esse editorial que submeto à leitura de meus pacientes leitores.

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