terça-feira, junho 28, 2022
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Revolução do trabalho

por Roberto Drumond

O dia primeiro de maio uma data que é celebrada em quase todo o mundo. No século XIX, com o fortalecimento das indústrias, criou-se uma nova classe social: a classe operária.

Ao mesmo tempo fortaleceu entre os trabalhadores a consciência de seu poder diante dos patrões. Essa consciência vinha alimentada pelos pensadores que pregavam o fim da exploração do trabalho humano e apresentavam, como ferramenta de pressão, a realização de greves, paralizações do sistema fabril em busca de melhores condições e redução das horas de trabalho que, nessa época, era comum a jornada de 10 a 12 horas.

No dia primeiro de maio de 1886, em Chicago, então uma das maiores cidades industriais dos Estado Unidos, foi declarada uma greve geral que paralisou toda a cidade. A pressão foi muito forte e os piquetes (grupos de operários postados diante dos portões das fábricas) foram atacados ferozmente pela polícia.

Três dias depois, como a greve continuava, a polícia voltou a atacar e uma bomba foi detonada entre eles matando quatro policiais. Foi o sinal para um momento trágico: a polícia reagiu abrindo fogo, matando 12 operários e ferindo dezenas.

Essa ocorrência chocou o mundo inteiro que passou a reconhecer a necessidade de criação de leis que fossem mais justas com o trabalhador. Entre as primeiras leis foi definido, nos Estados Unidos, que esta data seria um marco na vida do país.

Em todo o mundo, a data passou a ser comemorada sendo que no Brasil, embora fosse celebrada, somente em 1925 o presidente Arthur Bernardes criou oficialmente o feriado.
Nos últimos anos estamos vivendo uma nova revolução nas relações do trabalho. O advento dos sistemas informatizados, das automações, da internet, ao contrário do século XIX está tirando empregos. Um exemplo dessa realidade pode ser visto nas agencias bancárias. Há 30 anos não existia agencia com menos de 20 funcionários.

Atualmente os poucos que ainda trabalham acumulam funções pois, a maioria delas, já são executadas por máquinas que, sem direito a férias, direitos sociais e outros benefícios trabalham 24 horas sem reclamar. O resultado: há muito mais desemprego, aumentando a oferta de mão de obra e reduzindo o seu valor.

A sobrevivência do trabalhador atualmente, depende menos de leis e mais da qualificação. Sem essa ferramenta, fruto da dedicação e do interesse, nenhuma greve vai melhorar as condições de vida das pessoas e as novas leis, flexibilizando as relações trabalhistas, caminham para alterar profundamente o perfil da sociedade.

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