Ironia da guerra

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Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor.

Ironia da guerra – Nas duas últimas semanas temos ouvido falar, lido e comentado sobre os crimes de guerra que estão sendo cometidos no oriente médio, no conflito entre Israel e o Hamas e os demais grupos que reivindicam uma nação palestina.

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Bombardeios, mortes e destruição nos territórios palestinos e israelense estão sendo tão intensamente difundidos que, de repente não se fala mais da guerra na Ucrânia que a Rússia decidiu incorporar ao seu território.

Há uma triste ironia no conceito que se tem do que está se chamando de “crimes de Guerra”. É como se matar uma pessoa sem farda, o chamado civil, fosse menos legítimo do que matar uma pessoa fardada. Não importa a idade, não importa a cor, a etnia, a religião, a ideologia, o gênero ou o nível social e profissão: crime é crime, matar uma pessoa é condenado pela lei das três religiões que professam a fé monoteísta e que seguem os mandamentos da Lei entregue à humanidade por Moisés.

Os humanos fardados são tão vulneráveis aos tiros e as explosões como os humanos sem fardas, a diferença é que eventualmente, portando uma arma estão dispostos a impor a outros seres humanos o risco de morte. Me pergunto se isso legitima a guerra. Matar civis é crime de guerra bem como destruir os seus meios de sobrevivência.

Para mim a guerra é um crime contra a humanidade. As armas sempre foram, ao longo da história da humanidade, o último recurso da diplomacia. E essa mais sublime das virtudes da inteligência humana. O apelo às armas simplesmente demonstra que o ser humano está perdendo a sua capacidade de ser humano, está se bestializando em troca de valores que poderiam ser compartilhados entre todas as nações, como na canção “Imagine” de Johnn Lenon.

Utopia? Sim um sonho possível de se realizar se as nações utilizassem os recursos que dispendem com as guerras para melhorar as condições de vida dos povos que hoje vivem em conflito. Se as Nações Unidas que um dia deu a Israel o direito de ter um território para chamar de seu, fizesse o mesmo com o povo palestino e ali implantasse condições de vida equivalentes à desfrutada pelo estado judaico, certamente não haveria motivos para revoltas como as que vivemos hoje.

Talvez um dia isso possa acontecer, mas enquanto a indústria de guerra for a mais benéfica para a economia dos países poderosos, será impossível apascentar as sociedades que se beneficiam da morte de milhares de pessoas.

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