Guerra de opiniões

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Imagens da guerra entre Israel e a Palestina. Foto: Divulgação Internet
Bruno Martins, repórter e editor assistente do Jornal Ouvidor.

Desde que a humanidade existe a necessidade de lutar por espaço, estabelecer as dominações étnicas, econômicas, políticas e ideológicas despertaram os conflitos armados. A guerra faz parte da luta humana, numa espécie de sobrevivência onde matar o inimigo impõe respeito, proteção e uma falsa ideia de paz.

Há uma semana estamos acompanhando a guerra entre Israel e a Palestina. O conflito entre estes povos já ultrapassa gerações, mas a contraofensiva do grupo islâmico Hamas pegou muitos israelenses e todo resto do mundo de surpresa. Embora as autoridades já sabiam que do outro lado da fronteira da Faixa de Gaza, os extremistas se preparavam para atacar, Israel nada fez para evitar, achou estar protegido e ignorou todos os alertas que recebeu. A partir do último dia 07, começou a sangria que parece não ter data para acabar.

Ao passo que víamos nos noticiários as mortes, sequestros e violações acontecerem, surgiam nas redes sociais, nos grupos de debates políticos e até mesmo nas rodas de conversa os “passadores de pano”. Aqueles que buscam encontrar motivos que justifiquem os ataques de ambos os lados.

Um debate acadêmico promovido nesta semana na PUC Rio com alunos do curso de relações públicas, foi interrompido antes mesmo de começar simplesmente porquê parte dos alunos presentes, descendentes de judeus, não se sentiram representados pelo professor Michel Gherman, também de origem judaica, foi convidado a palestrar sobre o tema que tinha como objetivo elucidar a guerra entre Israel e o Hamas.

“Ah mais Israel sempre promoveu o genocídio do povo palestino, são neonazistas”, defenderam uns. “Os palestinos atacaram Israel covardemente, está certo o país de revidar”, disseram outros. A guerra de palavras tem ferido tanto, ou na mesma proporção que a luta armada. É como se encontrar culpados fosse amenizar a dor, cessar a matança ou justificar o motivo pelo qual famílias estejam sendo dizimadas.

Na ofensiva contra as mortes e exigindo a liberação imediata do seu povo, Israel cortou a distribuição de energia, água, combustível e alimentos na Faixa de Gaza. Uma tentativa que viola todos os direitos humanitários, com o intuito de gerar, a qualquer custo, uma rendição dos extremistas, mesmo que para isso seja necessário criar uma catástrofe humanitária.

Não existem vencedores numa guerra onde seus autores seguem protegidos atrás de escudos humanos. Não podemos defender um lado, afinal isso não é uma partida de futebol, isso é vida. O extermínio de raças não pode ser justificado por ideologias, pois se assim for, continuaremos a pisar no sangue de inocentes. Que possamos encontrar o caminho da paz na própria paz, como ensinou Gandhi.

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