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Entidade de Direitos Humanos entra no caso Matheus

Ariel de Castro Alves, advogado, Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos. Arquivo Pessoal.

O Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo considera injustificável o motivo e a forma com que o jovem isabelense foi morto e pede a Ouvidoria de Polícia do estado que apure o assassinato de Matheus

Por Bruno Martins

Após tomar conhecimento do caso envolvendo o isabelense Matheus Nunes Siqueira, 22, morto após uma abordagem policial na noite da última quarta-feira em Santa Isabel com um tiro na nuca. A entidade de Direitos Humanos Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, acionou ontem, 22/04, a Ouvidoria de Polícia do Estado de São Paulo, para que apure o  assassinato de Matheus.

Para o presidente da entidade e membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos, o advogado Dr. Ariel de Castro Alves, a alegação de legítima defesa não se encaixa no caso de Matheus: “Ao ler o boletim de ocorrência, podemos verificar que trata-se de uma execução sumária, praticada pelo policial militar autor do disparo. Não houve a legítima defesa alegada pelo PM, já que nenhuma arma foi encontrada com a vítima”, explica Dr. Ariel.

De acordo com Dr. Ariel, o PM que atirou deveria ter sido preso em flagrante por homicídio qualificado, com traição, emboscada e motivo fútil. “Quem atira pelas costas da vítima, atingindo a nuca, deve ser preso em flagrante por assassinato. O jovem quando fugiu da abordagem sequer sabia que se tratavam de policiais militares, já que não estavam fardados e identificados”, diz.

Mesmo que Matheus tivesse corrido por qualquer outro motivo Dr. Ariel defende que a fuga não justificaria uma execução, como ocorreu. “O boletim é claro, os jovens abordados pelos PMs não eram suspeitos de nenhum crime, já que os frentistas do Posto de Gasolina disseram que já os conheciam e que um deles sempre ia no posto abastecer seu veículo”, completa.

A reportagem do Jornal Ouvidor conversou com o Ouvidor Geral de Polícia do Estado, Dr. Elizeu Lopes, que já está acompanhando o caso e instaurando um procedimento apuratório na Ouvidoria, requerendo providências imediatas ao Ministério Público, Polícia Civil e a Corregedoria da PM: “Esperamos que a polícia civil requeira ao Judiciário a prisão preventiva do Policial Militar que realizou o disparo, uma vez que a corregedoria da PM já deveria ter decretado a prisão administrativa deste policial”, finaliza Ariel.

Sobre o Grupo Tortura Nunca Mais

O Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo foi criado em 1976, com o objetivo de lutar pela democracia no País, enfrentando e denunciado a ditadura civil-militar instalada em 1964. A iniciativa foi de ex presos e perseguidos políticos, além dos familiares de mortos e desaparecidos na Ditadura. Só em 1987, o grupo formalizou-se como Organização da Sociedade Civil. Na sua fundação teve apoio de personalidades, como o cardeal arcebispo emérito de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel, o Pastor James Wrigth, todos já falecidos, entre outros.

Leia na integra a Carta do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, apresentada a Ouvidoria da Polícia do Estado

A entidade de Direitos Humanos Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, criada em 1976, acionou ontem a Ouvidoria de Polícia do Estado de São Paulo, para que o assassinato do jovem Matheus Siqueira, em Santa Isabel no último dia 20, seja apurado.

“Ao ler o Boletim de Ocorrência podemos verificar que houve uma execução sumária praticada pelo policial autor do disparo. Não houve a legítima defesa alegada pelo PM, já que nenhuma arma foi encontrada com a vítima. O PM que atirou deveria ter sido preso em flagrante por homicídio qualificado, com traição, emboscada e motivo fútil. Quem atira pelas costas da vítima, atingindo a nuca, deve ser preso em flagrante por assassinato. O jovem quando fugiu da abordagem sequer sabia que se tratavam de policiais militares, já que não estavam fardados e identificados. De qualquer forma, essa fuga não justificaria uma execução, como ocorreu. Além disso, os jovens abordados pelos PMs não eram suspeitos de nenhum crime, já que os frentistas do Posto de Gasolina disseram que já os conheciam e que um deles sempre ia no posto abastecer seu veículo. Esperamos que a polícia civil requeira ao Judiciário a prisão preventiva do policial militar que realizou o disparo. A corregedoria da PM já deveria ter decretado a prisão administrativa do Policial. O ouvidor geral de Polícia, Elizeu Lopes, já está acompanhando o caso e instaurando um procedimento apuratório na Ouvidoria, requerendo providências imediatas ao Ministério Público, Polícia Civil e a Corregedoria da PM”. Ariel de Castro Alves, advogado, Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos.

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Altair
3 meses atrás

Porque nao acionam o Putim, olha quantos ele ja Mato.

Varlei Donizete
3 meses atrás

Tenho para mim, que as pessoas que compartilham histórias que ouvem de terceiros sem realmente sobre sobre o verdadeiro ocorrido, támbem contribui com a tortura. E nesse país essa questão é prolongada quando os pais e familiares ficam ouvindo várias versões de quem se quer nem estava presente na hora do ocorrido!
Com esse trabalho fica claro que a verdade sempre aparece, parabéns pelo trabalho

3 meses atrás

”Direitos dos manos”? kkkk

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