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Advogado e colunista do Jornal Ouvidor, Dr. Luís Carlos Correa Leite.

O Estado de São Paulo comemora hoje, dia 9 de julho, a sua data maior. Lembra o início da Revolução Constitucionalista de 1.932, quando os paulistas, a princípio apoiados por outros estados – e terminando sós – se rebelaram contra a ditadura de Getúlio Vargas, que iria durar até o ano de 1.945.

Para variar, os movimentos esquerdistas – que têm os seus ditadores de estimação, como Fidel Castro, Maduro e o próprio Vargas, entre outros – dizem que a Revolução de 32 nada mais foi do que uma reação da elite paulista contra um governo que estava contrariando os seus interesses. E que a luta pela elaboração da nova Constituição foi apenas uma desculpa para empolgar o povo.

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Mas os fatos demonstram que se a Revolução de 1.932 tivesse tido sucesso, hoje o Brasil poderia ser diferente. A ditadura de Getúlio Vargas, ninguém duvide disso, produziu efeitos até o final da década de oitenta, entre eles a dita Revolução de 1.964 e a proeminência dos militares na vida política do país.

Vargas, como todo ditador, perseguiu intelectuais que dele divergiam, instaurou a polícia política, que torturou, matou e impediu a formação de novos líderes. Era, como dizem os historiadores, o pai dos pobres, e … a mãe dos ricos. Criou esse sindicalismo pelego (manta que fica entre o lombo do animal e o traseiro do condutor), garantindo a este o controle dos trabalhadores, mediante política de retribuição de favores. Com base nestes líderes trabalhistas, também criou uma sustentação política que dura até hoje.

Assim, não se pode negar a importância da luta dos paulistas em favor da normalidade democrática. E lembrar que, qualquer que tenha sido a real motivação, os jovens e adultos que partiram para a frente de batalha deram uma demonstração de brio e coragem. Muitos, como disse o poeta “morreram jovens para viver para sempre”. Aliás, a oratória dos poetas foi um dos elementos de motivação marcantes do movimento.

E não podemos esquecer também dos que defenderam aquilo que a propaganda da ditadura varguista denominou de “tropas legalistas”. Foi um movimento de triste memória em que irmãos brasileiros mataram-se uns aos outros, em que famílias de todas as partes do Brasil perderam jovens idealistas, policiais militares deslocados para funções de guerra e soldados do exército. É uma epopeia para ser lembrada e reverenciada, como fazemos hoje, mas também um exemplo para que nunca mais se repita.

As diferenças políticas e ideológicas devem ser resolvidas no campo da disputa democrática, dentro do debate das ideias e princípios. Num momento em que a radicalização política no Brasil começa a dar sinais de perigo, com atentados contra candidatos, como ocorreu com o presidente Bolsonaro e contra o agora candidato Lula, é hora de lembrar os horrores das guerras, em especial as guerras civis, que, deflagradas entre irmãos, são muito mais cruéis.

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