sexta-feira, julho 1, 2022
spot_img
InícioSaúde“Vacinação infantil tem a menor adesão em 30 anos”, diz pediatra

“Vacinação infantil tem a menor adesão em 30 anos”, diz pediatra

Vacinação infantil - os índices registrados são baixos, chegando menos de 70% em doenças como paralisia infantil e a BCG (contra tuberculose)

Neste dia 9 de junho é comemorado o Dia Mundial da Imunização e o índice de vacinação infantil tem preocupado os médicos.

Segundo informações da Agência Senado, até 2014, a cobertura vacinal das crianças costumava ficar acima dos 90%, por vezes alcançando os 100%. Atualmente, os índices registrados são os menores em 30 anos, chegando abaixo de 70% em doenças como paralisia infantil e a BCG (contra tuberculose).

Para que exista a proteção coletiva, o recomendável é imunizar entre 90% e 95% das crianças, no mínimo. Segundo a médica pediatra Lara França, essa queda na vacinação teve uma expressão ainda maior desde o início da pandemia.

“Houve uma queda expressiva na adesão à vacinação. Isso se explica pelo isolamento social e principalmente as fakes news em torno das vacinas. Em 2021, em torno de 60% das crianças foram vacinadas contra a hepatite B, o tétano, a difteria e a coqueluche. Contra a tuberculose e a paralisia infantil, perto de 70%. Contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, o índice não chegou a 75%. A baixa adesão se repetiu em diversas outras vacinas”, diz Lara.

Os pais deixaram de atualizar os cartões das crianças e a vacina da meningite B é uma das que não entram no Programa Nacional de Imunização do SUS, então precisa ser buscada na rede particular.

A doença é de fácil tratamento, mas tem uma mortalidade muito rápida, então é muito importante que as pessoas estejam atentas a isso. A meningite é uma doença que causa inflamação no cérebro e na medula espinhal e pode ser transmitida por vírus ou bactérias.

No Brasil todo, o aumento dos casos acende alerta sobre a doença. Em Goiás, em todo o ano de 2021 foram registrados dez casos da doença. Em 2022, até abril, foram registrados quatro casos. Os principais sintomas de meningite são início súbito de febre, dor de cabeça e rigidez na nuca. Outros sintomas como mal-estar, náusea, vômito, fotofobia e confusão mental também podem surgir e alguns sintomas mais graves são convulsões, delírio, tremores e coma. Segundo Lara, a melhor maneira de evitar a doença é com a vacinação.


Leia também: Ministério amplia 4ª dose contra a Covid-19


Em recém-nascidos e bebês, alguns desses sintomas podem ser difíceis de identificar, mas os sinais são irritação, falta de apetite, letargia ou falta de resposta a estímulos e pode apresentar a fontanela (moleira) protuberante ou reflexos anormais.

De acordo com dados da SES-GO (Secretaria Estadual de Saúde de Goiás), a cobertura da vacinação contra a meningite C em 2016 foi de mais de 87% enquanto no ano passado chegou apenas a 73% das crianças. A vacina BCG, em 2016 alcançou mais de 92% das crianças, mas no ano passado apenas 70% foram vacinadas.

Riscos da falta de vacinas

No Brasil, a vacinação foi responsável pela erradicação da varíola e da poliomielite (paralisia infantil). Mas isso só aconteceu com aplicação adequada das vacinas e seguindo as recomendações do Ministério da Saúde.

O risco da imunização inadequada ou a falta da mesma pode trazer sequelas causadas pela própria doença e até mesmo a morte. As vacinas são fundamentais para uma redução e agravamento de doenças. Muitas doenças deixam sequelas e podem levar a mortalidade.

A meningite e a caxumba podem causar surdez. O sarampo pode retardar o crescimento e reduzir a capacidade mental. A difteria pode levar a falência renal. A coqueluche pode provocar lesões cerebrais. A rubéola quando contraída na gravidez, o bebê pode nascer com glaucoma, catarata e deformação cardíaca, entre outros problemas, além do risco de aborto.

“As vacinas são aplicadas desde o nascimento e seguem até a vida adulta. No Brasil há dois tipos de calendário vacinal, preconizado pelo Ministério da Saúde e pela rede particular. O Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, disponibiliza gratuitamente, para os recém-nascidos até a terceira idade, 19 vacinas que protegem contra mais de 40 doenças.

A rede privada disponibiliza vacinas para a imunização de todas as faixas etárias, complementando o calendário vacinal do PNI. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o não comparecimento de crianças aos postos e clínicas de vacinação para atualização da caderneta de vacinação, pode impactar nas coberturas vacinais e colocar a saúde de todos em risco”, finaliza a médica.

Vacinas cobertas pela rede pública

BCG: Protege contra as formas graves da tuberculose;
Pentavalente: protege contra as infecções invasivas causadas pelo Haemophilus influenza e sorotipo B (meningite) e contra difteria, tétano, coqueluche e hepatite B;
Pneumocócica 10-valente (conjugada): protege contra as infecções invasivas causadas pelo Streptococcus pneumonia e, incluindo meningite;
Meningocócica ACWY conjugada: protege contra a doença meningocócica causada pelo sorogrupo A,C,W e Y.

Fonte: Karolina Vieira

Érica Alcântara
Érica Alcântarahttps://jornalouvidor.com.br
Jornalista, escritora e poeta, Érica Alcântara se formou em Filosofia pela Universidade Federal de Ouro Preto, Bacharelado e Licenciatura e há mais de 10 anos atua como repórter do Jornal Ouvidor
RELATED ARTICLES
Se inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Most Popular

Recent Comments

Érica Alcântara on Homero vira lenda
Érica Alcântara on Homero vira lenda
Érica Alcântara on Homero vira lenda
Ana Maria Monteiro da Silva on Homero vira lenda
Agenor Vallone on Homero vira lenda
Ana Paula Carrara on Homero vira lenda
José Francisco "Chiquinho" on Mais segurança em Arujá