quarta-feira, junho 29, 2022
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Túmulos viram moradias em Santa Isabel

Usuários de entorpecentes e pessoas em situação de rua ocupam lápides e usam áreas do cemitério para defecar e urinar sobre os mortos

Por Érica Alcântara

Entrada Cemitério Brotas
Entrada Cemitério Brotas em Santa Isabel

À primeira vista mal dá para imaginar o que se pode encontrar no Cemitério do Brotas, em Santa Isabel. A capela, recentemente pintada, orna um contraste delicado ao funcho de árvores esguias que projetam sombra e refresco para as tardes de sol causticante.

Mas, ao caminhar pelos túmulos, os sinais da presença auto predatória dos vivos aumenta, possivelmente, na mesma proporção em que o cheiro de urina e fezes fazem arder as narinas mais sensíveis.

Próximo aos túmulos: garrafas pet de cachaça, sacolas plásticas, calcinhas usadas e rasgadas formam uma trilha até os espaços invadidos.

Os jazigos de família, onde as covas são mais profundas e ligeiramente mais amplas, o buraco é subdivido em lajes programadas para sustentar o peso de caixões de entes que ali descansam no pós vida. Estes locais são os preferidos da ocupação hostil.

Há casos em que a laje se partiu com o peso dos ocupantes vivos que se movimentam, ainda assim, os usuários de entorpecentes permaneceram no local, repousando noite após noite sobre o caixão de uma pessoa morta.

O uso de drogas é inegável, todos os túmulos invadidos acumulam latas amassadas e queimadas. Rastro tipicamente observado nas cracolândias, onde os viciados aquecem as latas de cerveja ou refrigerante para inalar o vapor do crack.

Túmulos marcados pelo consumo de drogas
Dentro das sepulturas muita sujeira e resquícios do consumo de crack e outras drogas

“E dá medo. A presença deles é intimidadora”, disse a primeira pessoa que denunciou o problema para o Ouvidor. Outra denunciante descreve como o filho foi ameaçado pelos invasores de sepulturas:

“Meu filho foi ao Cemitério do Brotas para ver como estava a situação do túmulo da família. Quando chegou lá, viu que estava quebrado, tinha roupas e um urso de pelúcia dentro da própria sepultura. Minutos depois, alguns vândalos começaram a segui-lo, falaram para ele sair do cemitério por que eles que mandam lá dentro”, diz a cidadã que, por segurança, prefere não se identificar.

Em ambos os casos, os familiares lastimam o sentimento de frustração: “Arrumamos o túmulo e os vândalos vão lá e destroem, sem a menor consideração pelo falecido que está enterrado. Ainda assim, no dia 22/03, restauramos o local onde sepultamos nossos familiares, mas, no tempo em que estávamos lá, havia muita movimentação de vândalos pelo cemitério, entrando e saindo de vários túmulos que estavam abertos”.

Para as pessoas que entraram em contato com o Ouvidor, denunciar o problema é, também, um meio de alertar as famílias sobre os perigos escondidos no cemitério.

Segundo informações, a Polícia Militar não pode cuidar da segurança particular do cemitério que, neste caso, é de responsabilidade da prefeitura de Santa Isabel.

Na Lei

O juiz determina se a droga é para consumo ou para tráfico com base na quantidade de entorpecentes apreendidos. Mas, geralmente, os usuários de drogas não ficam presos.

O artigo 28 da lei de drogas prevê três penalidades quando a pessoa se enquadra como usuário de entorpecentes: (1) advertência sobre os efeitos das drogas, (2) prestação de serviços à comunidade e (3) participação em medidas e/ou programas educativos.

 

 

 

Érica Alcântara
Érica Alcântarahttps://jornalouvidor.com.br
Jornalista, escritora e poeta, Érica Alcântara se formou em Filosofia pela Universidade Federal de Ouro Preto, Bacharelado e Licenciatura e há mais de 10 anos atua como repórter do Jornal Ouvidor
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