Terremotos

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Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor.

Essa semana dois terremotos abalaram o país. Para ser mais exato, ambos aconteceram ontem (16/06). O primeiro foi a revelação dos documentos encontrados no celular do ajudante de ordens do presidente Bolsonaro, o Coronel Cid. Segundo a Polícia Federal no equipamento estão armazenados os planos para a deflagração de um golpe de estado no Brasil, após as eleições do ano passado.

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Tivemos acessos através dos noticiários da imprensa ao teor dos documentos. Pessoalmente, tenho cá minhas dúvidas. Acho de uma ingenuidade muito grande de altas patentes do exército conservar conteúdos dessa natureza em um equipamento tão fácil de ser invadido e hakeado. Mas, diz Polícia, que estão lá desde a concepção do golpe como o passo a passo que seria desfechado se o Exército tivesse se manifestado diante do movimento de 8 de janeiro.

São tantas revelações que de repente me ocorre a lembrança da já tão vilipendiada “Operação Lava-jato”. Éramos diariamente bombardeados com tantas denúncias e escândalos que chegamos a pensar que o Brasil sairia daqueles anos rejuvenescido, reconstruído, com um moral de primeiro mundo, exemplo a outras nações.

O que aconteceu depois? Era tudo uma ficção jurídica? A maioria das acusações estão sendo questionadas e parecem que irão desaparecer assim como os personagens que foram atores em todo aquele processo.

Vem agora as revelações contra o grupo que governou o país nos últimos quatro anos. Não bato palmas para ele, mas temo que a mesma força que hoje joga pedras sobre a administração de Bolsonaro volte a fazer sobre a gestão do presidente Lula, no futuro, o que está acontecendo agora. Ou seja, que se conclua que nada disso aconteceu: foram apenas interpretações errôneas feitas à luz da ideologia vigente.

Tenho certeza de que os historiadores do futuro que vão se debruçar sobre os nossos tempos ficarão meio perdidos diante de experiências tão contraditórias nos altos escalões do governo. Mas é aquela verdade moldada pelo historiador britânico, Arnold Toynbee: “História é escrita pelos vencedores”. Que na versão da rua se transformou no “Quem viver, verá”.

Ah, o outro terremoto? Aconteceu às 8h27 também dessa sexta-feira. Algumas cidades paulistas balançaram com o tremer da terra, segundo os cientistas de forma leve, 4,7 na escala Hichter. Pode acontecer, mas é muito difícil ser mais forte do que foi. Assim esperamos, sem vítimas a lamentar. E, mais uma vez: “Quem viver, verá”.

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