Repetindo Lobato

turismo
Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor.

Repetindo Lobato – Nessa semana o Brasil registrou um milhão de casos de dengue. Quase cinco vezes a mais do que o mesmo período do ano passado, apenas oito semanas. É alarmante principalmente quando se sabe que tivemos 214 mortes atribuídas à doença e, quando alcançarmos 300 casos estaremos entrando em estado de epidemia, segundo as normas do Ministério da Saúde.

O mesmo Ministério informa que existem 687 casos de morte sendo investigadas para saber se a causa está relacionada ao vírus da dengue. Ou seja: é possível que já estejamos em estado de epidemia só que ela ainda não nos foi informada. Só em nossa região já são 131 casos em Santa Isabel, 74 casos em Arujá e 38 em Igaratá onde se registrou uma morte.

O Ministério da Saúde determinou que Estados e Município realizem hoje o “Dia D contra a Dengue”. Uma provocação para que todas as pessoas se conscientizem dos riscos que corremos de sermos dominados pelo mosquito “Aedes Aegyptis”, o único transmissor dessa arbovirose presente nos meios urbanos.

O Governo pretende também multiplicar o esforço para a vacinação constatando o fato de que está sobrando vacinas apesar da grande população de crianças menores de dez anos que deveriam ser vacinadas e que não o foram. A sobra é tamanha que já se admite a aplicação da vacina em crianças de até 14 anos para que não haja perda do medicamento.

O quadro é desalentador. Uma parte da população contesta a vacina que, ao que se sabe, alivia a doença evitando a internação. Outra parte simplesmente a rejeita dando pouca importância ao risco do contágio.

A Dengue não tem a a característica da Covid-19 que nos obrigou ao isolamento, mas tem a mesma capacidade de provocar mortes. E ambas têm quase os mesmos sintomas e já não é raro identificar os dois vírus no mesmo paciente, inclusive com notícias de óbitos.

A vacina não vai eliminar a doença, para isso só existe somente uma forma, eliminando o vetor, aquele ser vivente que adora as poças de água parada, que voa a apenas até 1,5 metro de altura e que prefere sair nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde. Para isso precisamos da ação do homem. Uma ação que não pode ser feita apenas uma vez em um determinado dia, mas um trabalho constante, resiliente e determinado de eliminar todas as possibilidades de reprodução do Aedes aegyptis.

E é preciso agir rápido. Já há notícias de uma nova doença presente nos centros urbanos: a febre oropouche que tem com os mesmos sintomas da dengue e da covid-19 e é igualmente transmitida por um mosquito. Por enquanto é um mosquito pouco comum, mas tal qual o vetor da dengue, depende águas paradas para se reproduzir. E se nasce um, pode nascer outro.

Sem exagero reproduzo e adapto a célebre frase de Monteiro Lobato se referindo às formigas: Ou o Brasil acaba com o mosquito ou o mosquito acaba com o Brasil.

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