Predadores

por Roberto Drumond

turismo
Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor.

Predadores – Há algumas semanas uma sabiá fez um ninho no meio dos vasos na floreira da janela de nosso quarto. Com a mesma dedicação que ela teceu o lar acolhedor passamos também a cuidar das flores e zelar pelos três ovinhos que ali ela chocava.

Ela se assustava e saia voando sempre que nos aproximávamos da janela e, aos poucos fomos percebendo que não deveríamos mais molhar as pequenas flores, é impossível molhar plantas na base do conta gotas. Assim lembramos que as plantas poderiam ser facilmente substituídas quando os passarinhos se fossem.

Algumas semanas se passaram e duas avezinhas frágeis nasceram para a nossa alegria e do dedicado casal que se revezava trazendo os alimentos para os bicos escancarados e exigentes. Os dias caminharam, as duas avezinhas foram engordando e criando penas e demonstrando que logo estariam alçando voo e ganhando o céu.

Essa semana, ao abrirmos a janela o ninho estava revirado e os pequenos haviam desaparecido. Nem mesmo o terceiro ovinho que havia gorado estava no lugar. Fiapos do ninho estavam sobre os outros vasos, alguns com ainda algumas flores coloridas e folhas verdes, mas os pequenos possivelmente foram devorados por um predador. Na natureza existem muitos!

Hoje pela manhã, enquanto regava a horta e o jardim, refletindo sobre essa crônica decidi contar essa história e falar sobre os predadores. Um ditado que não conheço a origem diz que “quem alimenta os lobos não gosta dos cordeiros”. Reconheço que possa haver controvérsias, uma vez que alimentado o lobo não ataca o rebanho. Mas isso ocorre apenas no reino animal.

Na sociedade humana os predadores são insaciáveis. E há muitas formas de alimentar os lobos: a impunidade decorrente da complacência das leis e da ineficiência do Estado. Situações que temos de sobra no Brasil onde os lobos são atentos e ágeis, dispostos a sequestrar uma idosa, interná-la em um asilo (talvez clandestino), para vender o imóvel que era o seu único bem, mesmo que herdado e não registrado. Esse caso, felizmente foi encerrado com sucesso graças a atenção de um vizinho, casualmente policial civil.

Minha reflexão sobre o ninho na minha janela colocou-me diante do dilema. É preciso caçar o predador que seguiu o seu instinto na busca de alimento, para si ou para os seus herdeiros? O não o caçar pode fortalecer a quantidade de predadores que, aos poucos vão acabar com os filhotes e sabiás e outras aves enquanto estão indefensas em seus ninhos, deixando com que só sobrevivam os predadores, na base da lei do mais forte.

Será que a extrema complacência de nossas leis, a ineficiência do Estado, a corrupção, fatores que alimentam a impunidade não vão, aos poucos, alimentando os predadores sociais e estimulando o crime? Reflita comigo e me ajude a encontrar uma solução!

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