Vereador quer investigação de mortes por covid-19

Márcio Pinho calcula que Santa Isabel tem o pior cenário da região

Saúde Em 12/06/2020 22:33:38

Márcio Pinho calcula que Santa Isabel tem o pior cenário da região

Desde a última segunda-feira o vereador Márcio Pinho está mergulhado em números tentando entender a estatística que evidencia, em sua opinião, que Santa Isabel é a pior cidade com relação aos índices de ocorrências de óbitos pela Covid-19 na região. Utilizando as definições e conceitos estabelecidos pela ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), busca entender se considera a taxa de mortalidade ou a taxa de letalidade relativa aos números de mortes registradas no município.

O seu requerimento para a Prefeitura realizar uma sindicância ou investigação para apurar as altas taxas de mortes no município em relação a outras cidades da região foi o mais debatido na sessão de terça-feira passada. Aprovado com voto contrário do vereador Ademar Barbosa, mas com ressalvas manifestadas por diversos vereadores, o requerimento considera o aumento dos casos de contaminação na cidade, em especial os óbitos decorrentes da Covid-19 de funcionários do setor de saúde, especificamente na Santa Casa de Misericórdia de Santa Isabel: – Até a última semana foram quatro óbitos confirmados em de razão do contágio, é preciso saber o que está errado nos protocolos adotados para o atendimento dos pacientes e os motivos do expressivo aumento de contágio no município, explicou aos demais vereadores.

Márcio pondera que se considerar a taxa de mortalidade proporcionalmente ao número de habitantes no município, Santa Isabel se transforma no pior cenário para a população, com uma taxa de mortalidade de 5,58 mortes em cada 10 mil habitantes (Veja planilha abaixo). Se considerar pelo número de pessoas contaminadas, encontra um indicador diferente do que vem sido registrado na maioria dos países do mundo e em outros municípios.

Márcio aponta ainda divergência entre os números apontados pela Prefeitura e os registrados na Secretaria Estadual de Saúde e abre a possibilidade de estar ocorrendo identificação de mortes ocorridas por outras causas sendo atribuídas ao Covid-19. – Mas em qualquer das hipóteses, diz ele, em Santa Isabel estamos tendo problemas que precisamos identificar, o que justifica a contratação de um especialista para encontrar a resposta.

SANTA CASA REAGE A INSINUAÇÕES

O requerimento do vereador Márcio Pinho desatou como primeira consequencia um encontro virtual da Mesa diretora e membros da Irmandade da Santa Casa de Santa Isabel. Com a presença do diretor clínico do Hospital e da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), Dr. Luis Paulo Silva, foi analisado o quadro mencionado pelo Vereador e as implicações da série de vídeos que estão sendo postados nas redes sociais transmitindo falsas informações sobre as ocorrências no município.

Na conversa de quase duas horas, nas quais participaram 14 membros da irmandade, foram esclarecidos os protocolos adotados no Hospital e na UPA com a garantia de que são aplicados segundo as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Ministério da Saúde, além de recomendações de associações profissionais dedicadas ao controle da Covid-19.

Entre as formas de atendimento foi mencionado o uso da cloroquina e da hidroxycloroquina em pacientes que não apresentassem riscos cardíacos, concomitantemente a outros antibióticos como a Ivermectina e Azitromicina, com resultados positivos em alguns casos e outros nem tanto, mas sempre com a autorização do paciente ou seus familiares. 

O médico destacou que as estatísticas demonstram que o tratamento adotado em Santa Isabel corresponde ao que foi observado em outros países, com o óbito de pacientes em estado grave com comorbidades e entubados (cerca de 25%) e 8% dos profissionais. - Das mortes registradas até agora, pontuou, apenas duas pessoas não tinham comorbidades.

O diretor do Hospital, Alexandre Maia, afirmou que as informações disponíveis na internet nem sempre correspondem ao que é real. Exemplificando disse que em Santa Isabel morreram 24 pessoas pela Covid, mas que a internet registra 31. – A diferença é que sete pessoas morreram em outras cidades, mas o dado estatístico é lançado no local de origem do paciente, causando dúvidas na população.

Foram esclarecidas questões como os testes aplicados nos profissionais que atuam no hospital e na UPA assegurando que todos são regularmente avaliados e advertidos para comunicar à direção clínica todo o qualquer sintoma: - Infelizmente nem todos agem assim! Ressaltou Alexandre, lembrando que algumas das vítimas da Covid em nenhum momento admitiram estar se sentindo incomodadas com um dos sintomas:  “A eficácia dos testes só ocorre depois do sétimo dia do contágio (no caso do PCR) ou no oitavo dia, no caso de identificação de anti corpos, o que reduz a nossa capacidade de reação”, esclareceu.

Ao final da reunião virtual um dos participantes observou que o problema é que estão politizando a doença em todos os níveis da administração pública. - Estão querendo utilizar a doença e o seu enfrentamento como instrumento eleitoral, deixando para o segundo plano o interesse público!