UPA e Sentinela contra a gripe

Fila de espera de mais de 3h, cerca de 400 pacientes por dia. Santa Isabel reabre unidade Sentinela para desafogar a UPA e enfrentar surto de gripe

Saúde Em 07/01/2022 22:19:48

Por Érica Alcântara 

Na segunda-feira, 03/01, uma avalanche de síndrome gripal caiu na Unidade de Pronto Atendimento – UPA de Santa Isabel. Era tanta gente na fila de espera que os pacientes não conseguiam manter um distanciamento e não havia cadeira para acomodar todo mundo. 

No meio de tudo isso, à tarde, um homem reclamando de dores abdominais passava pela triagem quando desmaiou com uma parada cardíaca fatal. Médicos e enfermeiros por aproximadamente 40 minutos se desdobraram na tentativa de salvar esta vida. Mas não foi possível, como também não foi possível para muitos pacientes suportar a espera pelo atendimento, enquanto a urgência e emergência entravam na fila da prioridade.

Avaliando os índices regionais, em que diversas cidades viveram a mesma situação, ou pior, com postos de saúde lotados e a capital chegando a registrar 06h de fila de espera por atendimento, o Prefeito Dr. Carlos Chinchilla reabriu a Unidade Sentinela, desta vez, focada no atendimento dos pacientes com síndrome gripal.

“A UPA está sobrecarregada de casos, a Sentinela Influenza H3N2 tem por objetivo ajudar não só os munícipes a serem atendidos com mais agilidade, mas também os profissionais de saúde que podem ter um tempo de descanso, mesmo que mínimo” diz o prefeito e médico Dr. Carlos Chinchilla.

A primeira dama, Helena Inácio, esteve à frente das reuniões decisórias e falou do desafio de montar uma equipe de atendimento em menos de 72h, durante o Programa De Frente com o Ouvidor (disponível no Youtube do Jornal).

Na quarta-feira, dia 05/01, a Unidade Sentinela atendeu 96 casos, que seriam atendidos na UPA, onde 300 pessoas passaram por consulta. Totalizando quase 400 pacientes, sendo mais da metade casos de gripe. “É necessário que ainda haja cuidados, pois o vírus Influenza se propaga com muita facilidade assim como o novo Coronavírus”, destaca Helena. 

Além da capacidade máxima

Originalmente,a UPA de Santa Isabel é classificada como de Porte 1, opção de custeio III. Para este perfil de unidade de atendimento estima-se capacidade para atender cerca de 150 a 200 pacientes por dia, mas a realidade, ainda mais com a pandemia, é muito diferente.

O Prefeito de Santa Isabel chegou a gravar um vídeo esta semana solicitando aos pacientes mais compreensão. Para que respeitem os profissionais da saúde. “O médico que foi chamado de vagabundo, já tinha atendido mais de 100 pessoas quando foi ofendido. A situação é crítica, estamos fazendo tudo para melhorar, mas precisamos da colaboração de todos”, reiterou Dr. Chinchilla.

Com o fluxo intenso de pacientes, Dr. Luis Jimenez, diretor clínico da UPA, disse que precisou implantar um protocolo de atendimento específico para síndrome gripal a fim de garantir que nenhum paciente saísse sem medicação. “Não faltou remédio, mas percebemos que diante da grande demanda, precisamos garantir os medicamentos injetáveis para quem não consegue administrar por via oral como crianças e idosos”, explica.

Para o Diretor, é possível que nas próximas semanas haja uma queda do número de pacientes gripados e que, possivelmente, esse aumento de casos está associado às festas de final de ano. “Até lá, vamos continuar trabalhando para oferecer o melhor atendimento, mais humanizado e para isso, como disse o Prefeito, precisamos da colaboração de todos”.

A UPA segue o que no Brasil todo o Sistema Único de Saúde (SUS) utiliza: o Protocolo de Manchester, cuja classificação de risco (e prioridade no atendimento) se dá por cores:

•Vermelha – Emergência: caso gravíssimo, necessita atendimento imediato, risco de morte;

•Laranja – Muito urgente: caso grave, necessita atendimento urgente, pode evoluir para morte;

•Amarelo – Urgente: caso de gravidade moderada, sem risco imediato;

•Verde – Pouco urgente: caso para atendimento preferencial nas unidades de atenção básica;

•Azul – Não urgente: caso para atendimento nas unidades de atenção básica: queixas de resfriado, contusões, escoriações, dor de garganta etc.