O frio extremo e o prejuízo a agricultura

Geadas trouxeram prejuízos incontáveis as lavouras e pastos. Danos poderão mexer e muito no preço de alguns alimentos. Especialista traz dicas aos produtores para evitar novas perdas

Cidades Em 30/07/2021 20:26:17

Por Bruno Martins

As imagens que pareciam até bonitas em fotos e vídeos mostrando pastos e asfaltos com aquela fina camada de gelo, fez com que o maior cinturão verde do Estado de São Paulo, a região, perdesse uma quantidade incontável de hortaliças e frutas. Em alguns lugares, mais de dois meses de trabalho e cultivo se perderam numa madrugada fria.

Nesta semana, o WhatsApp do Jornal Ouvidor recebeu inúmeras fotos e vídeos que mostravam o frio rigoroso principalmente em bairros mais distantes das regiões centrais de Arujá, Igaratá e Santa Isabel. A perda nas plantações, foi sentida desde as pequenas chácaras até em fazendas. E quanto maior a área de plantação, maior também foi o prejuízo: “Eu compro morango de um produtor em Pouso Alegre, Minas Gerais, lá o frio chegou a menos oito graus. Ele perdeu oito hectares de plantação de morango”, disse João Silva, revendedor de morangos em Arujá. 

Walter Ribeiro, especializado em meio ambiente e sistema agroflorestal explica os riscos que as baixas temperaturas trouxeram para o cultivo e o possível aumento nos preços destes produtos ao consumidor final: “Essas perdas, sem dúvida trarão um aumento no preço dos produtos agropecuários. Dependendo do nicho do mercado já há um oportunismo, talvez o produtor ou revendedor nem tenha sentido de imediato essa perda, mas automaticamente ele já aumenta esse valor na gondola dos mercados e feiras”, diz Walter. 

Na tradicional feira de Arujá, que acontece na região central da cidade, os feirantes cuja maioria revende o que compra dos produtores da região, ainda não sentiram o prejuízo e os seus produtos seguem com o mesmo preço de semanas que antecederam as geadas extremas: “No meu caso que vendo banana, por exemplo, elas acabam até se beneficiando do frio, quando já colhidas, mas no caso daquelas que ainda estão em cultivo, a geada acabou queimando as folhas dos pés, o que acaba interferindo e muito na qualidade daquelas que eu ainda vou colher e talvez daqui um mês, o meu cliente já possa sentir um aumento no preço com certeza”, explica o feirante Henrique dos Santos. 

Mas além do plantio as geadas também trazem prejuízos aos produtores de gado: “O sol que veio após aquela fina camada de gelo sobre os pastos acabou queimando as pastadas, e isso vai fazer com que os produtores complementem a alimentação do seu gado com ração e outros alimentos processados e por isso, teremos com certeza um aumento no preço da carne”, ressalta.  

Walter Ribeiro acredita que dentro de dois ou três meses o consumidor possa encontrar os valores destes produtos caminhando para uma normalização, mas isso dependerá das condições climáticas.

Para os produtores de folhas e hortaliças, o especialista dá algumas dicas boas e baratas que podem evitar perdas do cultivo: “Evitar o contato direto do vegetal com o gelo é fundamental para evitar perdas, desde que feitas com antecedência: “Essas proteções podem ser feitas com TNT, ou plástico direto sobre as folhas ou até suspensas com o uso de bambu. Mas é preciso que sejam feitas com certa antecedência”, explica.  De acordo com Walter, regar as plantas antes do nascer do sol, pode contribuir para que as folhas congeladas não queimem.

Tem mais dicas no Youtube 

Mas nem só de contra vivem os produtores rurais que enfrentam as baixas temperaturas. Ainda como complemento desta matéria, o especialista Walter Ribeiro dá dicas lá no canal oficial do Ouvidor no Youtube sobre os benefícios que a geada traz a algumas produções agrícolas. Aos piscicultores, em especial, bastante comuns na região, Walter traz uma dica que pode ajudar a salvar a criação de peixes e evitar perdas causadas pelo congelamento das águas. Confira.