O contraste da mortalidade infantil na região

Arujá apresenta taxa de mortalidade infantil 69% mais alta que os dados registrados em todo Estado. Enquanto isso, priorizando estratégias de saúde humanizada, Santa Isabel apresenta um dos menores indicadores da região

Cidades Em 12/11/2021 21:00:33

Por Bruno Martins

Nesta semana, o governador João Doria anunciou que em 2020, o Estado teve a menor taxa de mortalidade infantil da história. Para cada mil bebês nascidos vivos em São Paulo, o índice de óbitos foi de 9,75. Mas em uma análise regional, a realidade apresenta indicadores completamente diferentes entre Arujá e Santa Isabel.

Em Arujá, no ano passado, a taxa de mortalidade infantil foi de 16,5 óbitos (69,23%) maior que os indicadores estaduais. Ao todo, 22 crianças morreram na cidade em 2020, antes de completarem um ano. Em julho deste ano, o secretário de Saúde de Arujá, Leonardo Reis conversou sobre estes indicadores com o Jornal Ouvidor. 

Na época, Leonardo defendeu que os números demonstravam a urgência da cidade investir em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI – Neonatal). Este é o principal projeto da secretaria de Saúde de Arujá, que deverá receber investimento total de R$500 mil, por meio de emendas parlamentares, para ser concretizado já no próximo ano. 

Atualmente, na Maternidade Municipal Dalila Ferreira Barbosa, cerca de 70 partos são realizados mensalmente. Em média, 5% destes partos ocorrem de forma prematura ou apresentam complicações que necessitam de uma UTI.

A entrevista completa, com o Secretário de Saúde Leonardo Reis, você confere na edição 1.333 disponível no site do Ouvidor.     

Santa Isabel tem menor taxa de mortalidade infantil da região

Já em Santa Isabel, em 2020, os números mostram que a taxa de mortalidade infantil foi de 7,4 óbitos de bebês menores de um ano por mil nascidos vivos, comparativamente uma taxa 31,75% menor que a do estado. 

Ao todo, a cidade registrou um total de 539 bebês nascidos vivos. No mesmo período, quatro crianças menores de um ano morreram. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde. 

De acordo com a Pasta, má formação congênita e prematuridade extrema ainda são as principais causas de óbitos infantis em Santa Isabel. A fim de baixar ainda mais seus indicadores, a Saúde informa que prioriza a oferta de atendimento imediato após a descoberta da gravidez.

“Nossas unidades seguem o protocolo de solicitar todos os exames e procedimentos laboratoriais à gestante, ofertamos gratuitamente todos os medicamentos preconizados pelo protocolo de pré-natal, além de acompanhamento com médico enfermeiro e grupo educativo da unidade de referência da gestante”, informou a secretária de Saúde, Rosa Ravazzi.

No caso de gestantes de alto risco, quando necessário, estas grávidas são encaminhadas para unidades de referência de alta complexidade na região e após o nascimento, mãe e bebê passam a ser acompanhados mensalmente por médico e enfermeiro do Posto de Saúde do seu bairro.  

Outro fator positivo, que contribui significativamente para a redução dos casos de mortalidade infantil em Santa Isabel, é a inclusão da cidade, desde 2013, no Programa Rede Cegonha do Governo Federal. Trata-se de uma estratégia proposta pelo Ministério da Saúde, operacionalizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e fundamentada nos princípios de humanização e assistência às gestantes e crianças de zero a dois anos. 

O projeto é desenvolvido pela Santa Casa de Misericórdia de Santa Isabel e conta com palestras e orientações aos pais do bebê e/ou familiares, no caso de mãe solo. Atualmente, a Santa Casa realiza uma média de 50 partos por mês.

“Por sermos uma unidade que faz apenas partos de baixa complexidade, o número de bebês ou mães que apresentam complicações durante a realização do parto é baixíssimo, mas sempre que há uma intercorrência urgente durante o procedimento, nossa equipe dispõe de todo o suporte para que mães e bebês recebam a assistência necessária até que uma vaga seja liberada nas unidades de referência de alta complexidade”, explica Alexandre Maia Ribeiro, diretor Administrativo da Santa Casa de Santa Isabel.

SUS reduz mortalidade infantil no Brasil

No índice Brasil, as políticas adotadas pelo SUS desde a sua criação, em setembro de 1990, ajudaram a diminuir significativamente as taxas de mortalidade infantil. Na época, o país tinha uma taxa de 25,3, esse número caiu para 18 em 2000 e, chegou a 7,9 no último índice divulgado em 2019.