De novo o risco

por Roberto Drumond

Crônicas Em 26/11/2021 22:12:00

Em novembro de 2019 o mundo estava recebendo os primeiros ataques do coronavírus oriundo da China. Eram sinais ameaçadores e os países da Europa, especialmente a Itália davam alarmes de terror, com desfile de caminhões militares transportando caixões para os cemitérios. Cenas que chocaram o mundo!

No Brasil o noticiário que mostrava essas imagens, também demonstravam uma tranquilidade estranha como se fossemos uma ilha isenta dos riscos de contágio. A calma era tanta que nossas autoridades sequer se preocuparam em criar barreiras sanitárias nos aeroportos e, mais do que isso: nem cogitaram em cancelar o carnaval, evento que traz ao país milhões de pessoas de todo o mundo, especialmente da Europa.

Nesse final de novembro de 2021 estamos recebendo a notícia da variante Omicron, surgida na África do Sul e que, aparentemente, é capaz de infectar até mesmo pessoas vacinadas com os imunizantes existentes. A Anvisa anunciou ontem que, possivelmente, esse vírus já esteja no Brasil, e recomendou que as autoridades promovam barreiras sanitárias nos aeroportos, fronteiras e portos, evitando a entrada de pessoas originadas da própria África do Sul,  de Botsuana, Eswatini, Namíbia e Zimbábue, país cuja população está com taxa de vacinação baixa e onde já foi identificada a presença do Omicron.

Apesar disso tudo, ainda existem municípios relutando em cancelar as festas carnavalescas. Defendem a necessidade de alavancar a economia, especialmente afetada pela pandemia, nesse momento em que o cancelamento dos festejos em muitos lugares, abre a oportunidade de atrair uma multidão de consumidores. Esquecem que o custo da saúde é muito maior do que o benefício que pode ser proporcionado pelos três ou quatro dias de carnaval.

Vou ser reincidente no que falei nas lives que participei essa semana: nos proibiram de trabalhar, de visitar amigos, de ir a ruas fazer compras; nos proibiram de ir às escolas, de frequentar cultos e clubes, e agora libera geral?

Claro que para os prefeitos que abrem as portas de seus municípios para os foliões afugentados de outros municípios sabem que, no caso do adoecimento dessas pessoas, elas serão atendidas nos municípios de origem e não no local onde se divertiram durante o carnaval. Mas o custo será universal, pois a conta será sempre do SUS que suporta toda a saúde do país.

Mais do que o eventual benefício que possa trazer para a economia de um município, a realização do carnaval vai deixar o lixo e o custo social da saúde pública, pois o vírus, tanto o já conhecido coronavírus como todas as suas variantes desconhecem fronteiras e limites. Vão onde lhe abrem as portas.