Da cidade para a horta: Mudança de Vida

Como o curso do SENAR mudou a vida de um produtor de hortaliças em Igaratá

Cidades Em 13/11/2021 00:06:49

Quando a economia mostrou a Nelson que a sua copiadora em Guarulhos não iria progredir ele tomou uma decisão que mudou a sua vida. Vendeu o estabelecimento e construiu uma confortável casa nas terras da família de sua esposa, na Boa Vista, em Igaratá.

Ali, no cenário verde da montanha, o casal começou um novo empreendimento: cultivar legumes e hortaliças e oferecer à população de bairro. Nos últimos três anos se limitaram a percorrer alguns poucos quilômetros até o centro da Boa Vista garantindo uma pequena renda que era complementada no estafante trabalho de fazer e vender carvão.

Em março, a esposa Jô o convenceu a se inscreverem no curso oferecido pelo Senar (Serviço de Aprendizado Rural) numa parceria com o Sindicato Rural de Jacareí e com a Prefeitura de Igaratá. Nas últimas duas semanas, eles puderam juntar a sua produção com a de oito produtores do município para experimentar, na prática, o que aprenderam no curso.

No domingo passado toda a sua produção de alface, repolho, couve e outros produtos da horta que cultivam no bairro dos Pinheiros foi vendida, tornando-se motivo de comemoração: - Tudo o que aprendemos está sendo colocado em prática permitindo que a não só a nossa produção cresça, mas também a margem de lucro, garante ela enquanto carpe a horta de repolhos.

O local onde vivem é um trecho de aclive suave, rico de água e de sol. Ela conta que a rotina deles é levantar cedo e aproveitar o frescor da manhã para o trabalho mais pesado: carpir e afofar a terra, regar e retirar as folhagens que não enfeitam a planta. – Não usamos adubo nenhum, apenas o que nos é oferecido pela natureza, explica acrescentando que o objetivo é conseguir o selo de “orgânicos”. – Por enquanto nossa produção é natural, ou pro orgânico, mas vamos conquistar o selo que dará mais valor aos produtos que ofertamos nas feiras.

Jô conta que o curso mudou o rumo do trabalho. – Hoje a gente tem mais alegria de trabalhar porque sentimos que aumentaram as possibilidades de agregar mais valor ao que fazemos. O curso nos ensinou especialmente a responsabilidade de produzir alimentos para as pessoas. Vimos que não é só plantar, colher e vender, mas preocupar com a qualidade, com o aspecto e principalmente com o valor nutritivo do alimento com a confiança de que estamos alimentando gente de todas as idades que confiam no nosso trabalho e não podemos decepcioná-los.

Nelson já deixou de trabalhar na produção e venda de carvão, está se dedicando inteiramente à produção de alimentos e outras famílias residentes na mesma região do bairro que trás o nome da família, “os Pinheiros”, já falam em mudar o modo de produzir o milho, o feijão fazendo como Nelson e Jô, buscando melhorar a qualidade dos produtos que tiram da terra.