Começar de novo

por Roberto Drumond

Crônicas Em 07/01/2022 19:19:05

Não estou me referindo à veterana música de Ivan Lins, mas ao ano que inicia e, junto dele, os desafios para quem não aprendeu nada nos quase dois anos de pandemia. As unidades de saúde do país inteiro estão cheias de pacientes que apresentam os sintomas da Covid-19 misturados àqueles que estão com sintomas da gripe, a velha e conhecida “Influenza”.

O que estamos vivendo com as UPAs lotadas, e filas em hospitais privados com mais de seis horas de espera, reflete apenas o pouco caso que foi feito com os alertas feitos pelas autoridades do mundo inteiro a respeito do surgimentos de novas variantes da doença que impôs um rompimento com as relações humanas da forma tradicional. O resultado estamos colhendo agora, nesse início de janeiro e, para piorar, surgem novos focos do que já vem sendo chamado de flurona, a mistura da gripe (influenza) com a Covid-19. Não é uma nova doença, asseguram os médicos, mas o despertar de uma nova variante como a ômicron que, embora menos letal, já abateu um brasileiro em Goiás e se espalha com mais facilidade.

Como a ômicron, a flurona é um alerta da natureza que mostra o que Darwin demonstrou no século 19: que os seres vivos se ajustam às condições necessárias para prosseguir vivendo. No universo dos vírus e no cenário micro, esse processo é rápido e essa evolução resulta em doenças tão repentinas que mal combatemos uma, já surge outra.

A eficiência da vacina é indiscutível, mas para que evite o surgimento de variáveis o mundo todo teria de se vacinar ao mesmo tempo e cumprindo o protocolo corretamente. Mas isso não acontece e jamais vai acontecer, pois cada ser humano pensa e age diferentemente do total, criando condições para que o vírus supere as adversidades e crie novas formas de afetar a qualidade de vida das pessoas.

Se não é possível impedir a evolução dos vírus, é importante que desenvolvamos mecanismos capazes de impedir a sua propagação. Isso só vai acontecer se todos nós assumirmos a responsabilidade pela saúde de todos, colocando em prática o que deveríamos ter aprendido no tempo em que temos convivido com a pandemia: máscaras, distanciamento social, higiene no contato humano.

Falhamos no natal e no ano novo! Portanto, nada mais natural que comecemos de novo! Que o ano de 2022 nos traga, como reza São Francisco, mais coragem e força para mudar as coisas que precisam ser mudadas e sabedoria para distingui-las uma das outras.