Caminhoneiros protestaram em rodovias federais de 15 estados, nesta quinta-feira (9)

Movimento não foi coordenado por entidades representantes da categoria, mas conta com a mobilização de caminhoneiros autônomos, que demonstram apoio ao presidente Jair Bolsonaro

Trânsito Política Em 09/09/2021 18:24:51

Até as 11h desta quinta-feira (9), caminhoneiros bloqueavam parcial ou totalmente rodovias federais de 15 estados, de acordo com o Ministério da Infraestrutura e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). 

Os protestos tiveram início em vias de Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e São Paulo, mas se espalharam pelo país e, segundo as autoridades, ocorrem também no Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Rio de Janeiro, Rondônia, Maranhão, Roraima e Pará. 

Os caminhoneiros que deflagraram o movimento pelo país não tiveram adesão formal de sindicatos ou associações ligadas à categoria. Em contato com a reportagem, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) reafirmou o posicionamento anterior ao 7 de setembro, ou seja, de que os “atos representam a vontade individual de cada caminhoneiro”. 

O movimento é descentralizado e, por meio das redes sociais, várias pessoas já tentaram se colocar como líderes da paralisação. As pautas dos manifestantes são diversas, mas entre as principais estão o apoio ao presidente Jair Bolsonaro e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). 

O portal Brasil61.com continua tentando contato com caminhoneiros que aderiram ao movimento em busca de um posicionamento. 
 
Em São Paulo, os caminhoneiros paralisaram, por exemplo, as rodovias Anhanguera e Washington Luís. Ambas cortam o município de Cordeirópolis, cidade importante para a logística do estado, graças à presença de muitas transportadoras e sede de empresas importantes, como a Nestlé. Temendo que os protestos se estendessem por mais tempo, o prefeito Adinan Ortolan resolveu se antecipar. 
 
“O movimento durou poucas horas, mas estávamos nos preparando para durar vários dias. Já colocamos a Guarda Municipal de Prontidão, reservamos com o nosso fornecedor, hoje de madrugada, uma quantidade de combustível que daria para tocar as ambulâncias, SAMU, transporte escolar, e também convocamos uma reunião do secretariado para verificar se iria faltar gás de cozinha nas escolas.”

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Desde ontem, a PRF atua para garantir o fluxo nas rodovias federais em que há bloqueios. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, por exemplo, os caminhoneiros permitiam a passagem dos motoristas de todos os veículos, exceto os caminhões. Por causa disso, 60 postos de combustíveis em Joinville, no norte catarinense, estavam sem gasolina na manhã desta quinta, de acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipetro). 

Na quarta, o Ministério da Infraestrutura disse que a PRF desmobilizou 117 ocorrências. Hoje, até as 15h, a corporação já havia liberado 35 pontos de bloqueios nas rodovias federais. Mais de dois mil policiais rodoviários federais e cinco aeronaves trabalham na operação. 

Pela manhã, a PRF liberou pontos na BR-101, em Campos dos Goytacazes (RJ), BR-116, em Feira de Santana (BA), BR-040 (Goiás), na BR-101 (Espírito Santo), entre outros. 

Ontem, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, divulgou um vídeo confirmando a veracidade de um áudio do presidente Jair Bolsonaro, em que o chefe do Executivo pedia a liberação das rodovias e afirmava que os bloqueios atrapalham a economia, provocam desabastecimento e prejudicam a todos, em especial aos mais pobres.

“A gente sabe que há uma preocupação de todos com a melhoria da situação do país, com a resolução de problemas graves, mas a gente não pode tentar resolver um problema criando outro. Peço a todos que escutem as palavras do presidente e a gente tenha serenidade para pavimentar um futuro melhor”, avaliou Tarcísio. 

De acordo com o Ministério da Infraestrutura, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina contam com pontos de interdição. Nos demais estados, o trânsito está liberado, mas os caminhoneiros ainda impedem a passagem de veículos de cargas. 
 



Fonte: Brasil 61