Arujá registra os primeiros casos positivos de H3N2

A confirmação chegou pelo Instituto Adolfo Lutz, semanas depois que os pacientes já tinham recebido alta médica e estavam curados da doença

Saúde Em 07/01/2022 22:07:18

Por Bruno Martins

Em Arujá, a procura por atendimento médico no Pronto Atendimento (PA) Central e no Posto de Atendimento Médico (PAM) Barreto aumentou em mais de 300% de dezembro até o início deste mês. O aumento se deve ao “boom” de pacientes contaminados por gripe que seguem procurando atendimento médico, já com sintomas bem avançados. Arujá registra oficialmente três casos positivos de gripe Influenza A H3N2. 

De acordo com o Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento da Medicina (ITDM), que administra os serviços no PA e no PAM, foi necessário fazer uma readequação imediata no Pronto Atendimento, para separar os pacientes com sintomas gripais e suspeita de Covid-19, daqueles que seguem procurando a unidade para as demais consultas e serviços médicos. 

Priscila Franco Araújo é gerente de enfermagem da ITDM e explica que desde o início do surto de gripe na cidade, a Prefeitura solicitou que a administração criasse um meio de separar os pacientes com sintomas gripais, e assim tentar conter a disseminação do vírus entre os demais: “De imediato, nós montamos as tendas, pois foi o mesmo plano de ação que tivemos no pico da pandemia de Covid-19 na cidade e deu certo”, explica ela. 

O paciente que chega com sintomas gripais passa por três etapas de atendimento sendo espera, para os casos menos graves, triagem com enfermagem e avaliação médica. (No canal do Youtube do Jornal Ouvidor você confere a reportagem em vídeo realizada no PA Central que mostra, passo a passo de como está sendo realizado o atendimento aos pacientes com sintomas gripais. 

O secretário de Saúde de Arujá, Leonardo Reis, pontua as ações tomadas como positivas: “Além das tendas no PA, nós ainda separamos a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Pq. Rodrigo Barreto para priorizar o atendimento de pacientes gripais, assim a gente conseguiu dar uma opção a mais para quem procura por atendimento”, disse.

Só na UBS do Barreto cerca de 112 atendimentos diários são prestados a pacientes com sintomas gripais. De acordo com o Leonardo, isso representa mais de 57% do atendimento total da unidade.  O Secretário ressalta que são poucos os casos que estão necessitando de internação e que os pacientes que apresentam certa gravidade nos sintomas estão sendo devidamente testados. 

“Nós não dispomos ainda dos testes de influenza, pois o estado não enviou aos municípios. Como os sintomas são bem parecidos com os da Covid-19, nós testamos o paciente para a Covid para tirar qualquer dúvida e colhemos a mostra para análise do Adolfo Lutz. Geralmente os resultados chegam semanas depois. Positivo ou não a gente já trata o paciente e quando o resultado chega a maioria já teve alta”, explica Leonardo. Desde o início do surto na cidade, sete pacientes necessitaram de internação, os mais graves, foram e estão sendo direcionados para a unidade semi-intensiva do PAM Barreto.

Atualmente Arujá possui três casos já confirmados da nova cepa H3N2, mas Leonardo não descarta a possibilidade de que mais casos possam estar confirmados e represados no sistema. “Essa gripe atingiu a todos de surpresa, veio no verão quando os casos mais comuns são período de inverno. Embora assuste no início essa procura em massa por atendimento médico, ela é como todas as outras gripes, podendo ser tratada em casa seguindo as devidas orientações médicas”, explica. 

De acordo com a administração da ITDM, a alta procura por atendimento de pacientes que residem em outros municípios acaba sobrecarregando, principalmente o PA Central: “Nós contratamos mais um médico para atender na porta, além de novos enfermeiros e técnicos para compor a equipe, no entanto estamos recebendo muitos pacientes que residem em Itaquaquecetuba e Guarulhos e com isso fica quase impossível reduzir o tempo de espera”, disse Priscila. 

Para Leonardo, o tempo de espera no atendimento, seja na UBS ou no PA, é um fator que ainda gera inúmeras reclamações: “Infelizmente já tomamos todas as medidas a fim de minimizar este problema, mas seguimos priorizando o atendimento imediato aos casos mais graves, conforme a classificação de risco e como estes são muitos, os menos graves precisam compreender e esperar. Nossas equipes e o sistema como um todo, estão sobrecarregados”, finaliza.