A HORA E A VEZ DAS MULHERES

por LUIS CARLOS CORRÊA LEITE

Crônicas Em 26/11/2021 22:27:16

Pela primeira vez nos seus 89 anos de existência a Seccional da OAB em São Paulo será dirigida por uma mulher, a advogada Patricia Vanzolini. Além disso, em outros estados também foram eleitas mulheres para a direção da entidade, fato inédito na história da advocacia. 

Isso deve servir de exemplo para aquelas que pregam a participação das mulheres nos órgãos de direção, mas não se dispõem a concorrer aos cargos. E prova também que essa história de preconceito contra a participação das mulheres é uma balela. Junto com valorosos companheiros tive a honra de participar da campanha da advogada Patricia e em especial do agora Tesoureiro da OAB/SP, o advogado Alexandre de Sá Domingues, da cidade de Guarulhos. 

E essa vitória é também simbólica porque derrotou um candidato à reeleição que não poupou o uso da chamada “máquina” para atingir os seus objetivos de permanência à frente da instituição. No melhor estilo político arcaico, distribuiu verbas para aqueles que aceitaram a submissão. Já de longa data as direções da OAB vinham vencendo eleições com os votos dos chamados “rincões” do interior, verdadeiros currais eleitorais. 

Agora, a força das redes sociais parece que também despertou a consciência da advocacia como um todo.  Usando a palavra durante a visita da então candidata à cidade de Santa Isabel, alertei para a necessidade de a instituição voltar sua atenção para a aplicação criteriosa dos valores arrecadados com as anuidades junto à advocacia. Atualmente a OAB é um modelo de exploração da já combalida classe e do desperdício de recursos, com a realização de congressos em hotéis luxuosos, carros de luxo para deslocamento de diretores, e sedes que têm alto custo de manutenção.  

Por isso, foi com satisfação que li entrevista da agora presidente Patricia, em que esta afirmou:  "É assustador como uma entidade desse tamanho, com esse orçamento, uma receita de R$ 344 milhões, um orçamento que é maior que metade dos municípios de São Paulo, não tem procedimentos de transparência, de compliance, de boas práticas, de fiscalização de contratos, de fiscalização de contratações, enfim, processos de governança. 

Esse espírito republicano de ação deve ser adotado também para a defesa dos interesses e da dignidade da advocacia, tanto internamente como junto aos demais poderes.