Natureza que nos envolve

turismo
Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor.

A pandemia da covid 19 nos mostrou um lado tenebroso da natureza: o convívio que somos obrigados a ter com a natureza que, tirando os riscos, se mostra maravilhosa. Essa semana, citando como fonte a própria Organização Mundial da Saúde, o médico veterinário Dr. Henrique Guérin, disse que mais de 60% das doenças infecciosas humanas têm sua origem em animais e são mais de 200 tipos de doenças infecciosas transmitidas entre animais e pessoas, as chamadas zoonoses.

Ele, na condição de atual presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Santa Isabel, observa que a nossa convivência com os animais é imperativa para a nossa sobrevivência, mas é fundamental que esse convívio tenha como base principal a responsabilidade no trato das várias espécies que nos cercam, seja no ambiente doméstico, rural ou silvestre, pois todos têm a sua função na natureza.

Há alguns anos tive a oportunidade de trabalhar ao lado de destacados médicos veterinários na Associação de Clínicos Veterinários de Pequenos animais. Discutiu-se, na ocasião, a possibilidade de incluir profissionais de veterinária nas equipes de saúde de todos os municípios brasileiros. O projeto, para seguir em frente, carecia de apoio do Conselho Federal com a missão de sensibilizar deputados e senadores para acrescentar na Lei que criou as equipes de saúde, o profissional encarregado de, nas visitas domiciliares, avaliar a quantidade de animais de estimação, bem como o seu estado sanitário.

Embora fundamental para o fortalecimento de uma categoria profissional, a proposta não decolou por falta de patrocínio político. E o que mais se vê hoje, em todas as classes sociais é o crescimento do amor aos pets. E não se trata apenas de aves, cães e gatos. O mercado oferece licita, ou ilicitamente, todos os tipos de animais que são apaixonadamente exibidos por um período e, não raro descartados depois de certo tempo.

É exatamente o contrário do que se defende como a posse responsável de animais. Descartados esses espécimes frequentemente voltam à natureza ou aceitam o convívio humano em condições indigna para ambos, gerando focos de doenças como a que nos espantou entre 2019 e 2021. Quando voltam à natureza se transformam em jacarés do rio Tietê ou capivaras de parques e jardins, transportando em seu organismo milhares de vírus e bactérias que podem criar novas pandemias ou espalhar doenças.

O homem é a parte maior do meio ambiente. É dele a responsabilidade de zelar pela outra metade constituída de fauna e flora. Com a posse responsável vamos construir o que se almeja: o ambiente inteiro, harmônico e feliz. Essa é a missão que se espera do Conselho Municipal de Meio Ambiente e que nos envolve também

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Valdemiro ferreira
Valdemiro ferreira
1 ano atrás

Parabens Roberto ! Obrigado em nos presentear com suas opinioes importantes e bem articuladas, acrescentando, em muito, nossa reflexao e compreensao dos fatos wue nos rodriam!. Muito obrigado. At valdemiro