quarta-feira, junho 29, 2022
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Jovem é morto após abordagem policial em Santa Isabel

Assustado após ser abordado por dois policiais de folga e sem farda Matheus correu e antes que conseguisse cruzar a calçada da Av. República, levou um tiro na nuca

Por Bruno Martins

“Meu filho foi morto de forma absurda e injusta. Era um trabalhador, cheio de sonhos e planos, assassinado pelas costas a sangue frio”, o relato é de Agnaldo Alves de Siqueira. O pai que perdeu o único filho homem, morto precocemente aos 22 anos com um tiro na nuca disparado por um policial de folga, quer justiça.

Matheus Nunes de Siqueira, 22, estava acompanhando um amigo. Eles estavam em um churrasco na casa da avó de Matheus, no Bairro Vila Gumercindo, e foram até o posto na Av. República, no centro de Santa Isabel, na madrugada de quarta-feira, 20/04, abastecer e comprar cerveja.

Era por volta de 2h00, os jovens entraram na conveniência compraram a cerveja, pagaram, voltaram para o carro que estava abastecendo na bomba, entregaram o dinheiro do abastecimento ao frentista e quando se preparavam para sair, dois homens que estavam no posto os abordaram.

“Eles apresentaram um distintivo da polícia civil e disseram vamos ali conversar, levaram os rapazes para um canto do posto. Ele perguntou ao meu filho e você quem é? Matheus então se apresentou e o policial então teria falado: – É você mesmo, senta na mão e espera aí”, relata o pai. Os detalhes narrados por Agnaldo foram passados pelo amigo que estava com Matheus na hora da abordagem.

No momento em que o policial Tiago Cavalcante de Melo se virou para falar com o amigo de Matheus, o jovem correu. Por uma câmera de segurança, de um estabelecimento comercial do outro lado da Avenida, é possível ver o momento em que Tiago sai correndo atrás de Matheus. Na hora do disparo os dois já estavam fora do ponto de visão da câmera.

Após o disparo, o segundo policial de folga, foi atrás do colega. Nesta hora o amigo de Matheus correu e conseguiu fugir do posto. Ele então voltou até a casa da avó de Matheus e contou o que tinha acontecido. A família e demais amigos foram até o local.

Matheus levou um tiro na região da nuca e caiu. A arma do policial Tiago foi apreendida mais tarde pela Polícia Civil com 14 cartuchos íntegros e apenas um deflagrado. A polícia militar foi acionada através do 190 pelos próprios policiais que abordaram os jovens. Aos soldados eles disseram que só fizeram a abordagem, pois acreditavam que Matheus e o amigo pudessem estar transportando algum objeto ilícito. No bolso, Matheus só levava um celular.

De acordo com a família o Socorro Médico levou cerca de 40 minutos para chegar ao locsl onde Matheus estava baleado. O SAMU até levou o jovem para a UPA, mas lá ele já chegou sem vida.

Tiago e o PM que o acompanhava apresentaram sua funcional. Eles são lotados em um batalhão na Zona Leste de São Paulo. No início o caso foi registrado como legítima defesa, pois ao delegado, Tiago disse que só disparou, pois: “Ao correr Matheus olhou para trás e fez um movimento, semelhante aquele que iria retirar uma arma da cintura. E por este motivo, por entender estar presente agressão injusta iminente, efetuou um único disparo”, descreve o boletim.

Ouvidoria da PM solicitará afastamento dos policiais e abertura de novo inquérito

Para o Ouvidor da Polícia Militar, Civil e Técnico Científica do Estado de São Paulo, Dr. Elizeu Soares Lopes, que teve acesso através do Jornal Ouvidor sobre os fatos, é preciso que o caso seja devidamente investigado: “Ao analisar as imagens, embora elas não mostrem muita coisa, é notório que os jovens não apresentavam nenhum risco aos policiais. Como que uma pessoa correndo de costas pode representar perigo? ”, questiona.

Dr. Elizeu informou que na próxima segunda-feira, 25, abrirá um procedimento e solicitará a Corregedoria Geral da Polícia do Estado que abra um inquérito afim de apurar a conduta dos PMs. “Ao mesmo tempo acionarei a Delegacia da Polícia de Proteção Humana e solicitarei ao delegado do caso que ouça novamente as pessoas envolvidas e reportaremos o caso ao Ministério Público de São Paulo”, disse.

Ainda sobre o fato do boletim ter sido registrado como legítima defesa Dr. Elizeu explica que: “Em casos como este é preciso ter cautela, mas o delegado confiou na versão dos dois policiais, que em tese, devem sempre versar sobre a verdade. Se a autoridade policial já tem acesso a imagens e depoimentos que contradizem a primeira versão dada, ele pode e deve solicitar a prisão preventiva dos policiais. Ainda tem tempo de se fazer qualquer reparo necessário neste caso”, explica Dr. Elizeu que disse ainda, que pedirá o imediato afastamento dos policiais de suas funções até que o caso seja concluído.

Matheus nasceu em Santa Isabel, mas mudou-se há três anos para São Paulo. Na Capital ele estudou Tecnologia da Informação (TI) e trabalhava 12 horas por dia como entregador de comida por aplicativos. Ele voltava constantemente a cidade natal para visitar familiares e amigos.

O pai Agnaldo mora em Santana do Parnaíba e chegou a cidade na quarta pela manhã para liberar o corpo do filho: “Eu perdi meu único filho homem, mas eu tive um outro casamento e mais uma filha, no entanto a mãe de Matheus, minha ex-mulher, perdeu o único filho que ela teve. Estamos arrasados e de quarta para cá, ainda esperamos acordar deste pesadelo”, diz Agnaldo.

A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública, mas o órgão não se manifestou.

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