Falsidade (quase) perfeita

turismo
Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor.

Essa semana soube de uma notícia estarrecedora: dentro da área de comunicação, uma das atividades mais bem remunerada, caminha para a extinção, os dubladores. Aqueles profissionais que emprestam as suas vozes para os atores estrangeiros que se apresentam no cinema e na TV falando português ou a língua do país onde está sendo exibido.

Foi notícia no Ouvidor

Esses profissionais estão sendo substituídos pela Inteligência Artificial. A plataforma converte o texto que o ator fala para a língua desejada e também copia o timbre de sua voz e o movimento de articulação da boca, como se fosse o próprio ator. Imagine Leonardo DiCaprio falando português (ou mandarim) com toda a articulação necessária para a pronuncia das palavras, com o mesmo timbre de sua voz quando usa a sua língua nativa.

É uma maravilha da tecnologia que serve tanto para o bem como para o mal. Em outra crônica nesse mesmo espaço já comentamos a capacidade dessa tecnologia de despir as pessoas, deixando-as em situação constrangedora como ocorreu no Rio de Janeiro com estudantes de um destacado colégio.

Nesse ano de 2024 teremos eleições municipais e não será difícil surgir nas redes sociais vídeos de candidatos falando coisas que jamais falariam. E serão produções tão reais que a população não saberá distinguir o real da fantasia, comprometendo não apenas o resultado da eleição, mas também o futuro dos municípios. Será a inteligência artificial se aproveitando da ignorância natural de grande parte da população para impor à sociedade um governo descomprometido com a verdade.

Ainda não se sabe quais os limites da propaganda utilizando-se dessa tecnologia assustadora. Mas já se sabe que o antídoto para esse veneno que será injetado nas veias eletrônicas é a informação feita por veículos e instituições que amealharam em sua história a credibilidade através de um trabalho sério e comprometido com a verdade.

O uso de fakes dessa natureza estará presente em milhares de postagens de pessoas, independentemente da vontade delas, porque terão certamente as suas redes invadidas por especialistas capazes de quebrar as blindagens mais comuns e usuais dos internautas. Caberá a cada cidadão patrulhar a própria rede para evitar infiltrações e também se assegurar que as mensagens recebidas representam uma manifestação verdadeira.

Volta a valer na realidade da moderna tecnologia, a velha recomendação do primeiro ministro inglês Winston Churchill: “O preço da paz é a eterna vigilância”. Isso quer dizer que o essencial será não permitir que a inteligência artificial revele e se aproveite de nossa triste ignorância.

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