Emancipação

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Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor, fala sobre decisões do STF.

O centésimo nonagésimo segundo aniversário de Santa Isabel é, como em toda comemoração, uma oportunidade para reflexão. Na verdade, não são 192 anos de existência (afinal, só a paróquia de Santa Isabel tem mais de 200 anos). O que se celebra em dez de julho é a emancipação política e administrativa do município.

Foi notícia no Ouvidor

A emancipação é o momento em que, deixando de ser distrito de um município maior, a cidade ganha o direito de eleger prefeito, vereadores, possuir orçamento próprio e governar-se através dos cidadãos eleitos que têm como obrigação conquistar mais qualidade de vida para a população.

Emancipação é também desafio: é a construção de um futuro que depende da maturidade de seus cidadãos para escolher, entre os seus pares, aqueles a quem cabe apontar os caminhos para a obtenção da desejada qualidade. É nesse quesito que reside o principal desafio: como escolher?

Não existe um passo a passo. Não existe um manual e, principalmente, nem todos os cidadãos que são chamados a escolher conseguem identificar nos escolhidos, aquele que, de fato merece e tem capacidade de dirigir os destinos do município. Cabe-lhes uma decisão de suma importância que nem sempre o eleitor consegue definir.

A história dos candidatos, as suas experiências de vida, sua capacidade de interagir com a população são elementos que podem ajudar na escolha, mas nem sempre essas condições são visíveis no rápido período eleitoral. O que se tem visto ao longo dos últimos anos é somente o impacto que os discursos são capazes de sensibilizar o eleitor. E, infelizmente, nem sempre é apenas o discurso. Frequentemente a opção é conquistada pela generosidade das promessas atuais e futuras, construindo uma imagem distorcida da realidade, comprometendo o futuro.

A emancipação compete ao cidadão amadurecer e buscar, entre aqueles que se propõem a governar, aquele que, indiferente aos apelos fáceis, consegue manter-se fiel às suas prioridades especialmente as de interesse coletivo deixando de lado os interesses individuais. Contudo o voto é feito pelo indivíduo e é na conquista dele que o candidato se esquece do principal, a coletividade.

Dentro de alguns meses vamos às urnas para, no ato de votar, consolidar de fato a nossa emancipação. Ela só será atingida não pelos decretos, como o foi há 192 anos, mas pela nossa capacidade de identificar aqueles que demonstram ver o futuro e escolher o melhor caminho para atingi-lo.  A jornada para a verdadeira emancipação é longa, mas é possível, basta apenas cada um de nós renunciar ao individual e acreditar no coletivo.

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