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Pandemia e novos desafios aos processos de adoção

Quarta-feira, 25/05, foi o Dia Nacional da Adoção, a Juíza da Vara da Infância e Juventude Dra. Claudia Vilibor Breda fala sobre os desafios do processo de adoção durante e pós pandemia.

Em 2020, primeiro ano da pandemia da Covid-19, o estado de São Paulo apresentou queda de 43% na adoção de crianças e adolescentes. Essa baixa também foi sentida nas varas da infância e juventude da região, que tiveram que se readequar as necessidades de um novo normal a fim de garantir que o sonho em busca de uma família não fosse interrompido pelo isolamento social.

De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em todo o Brasil 3.751 crianças e adolescentes estão disponíveis para adoção. Enquanto isso, na outra ponta, 33.046 pessoas, pretendem adotar. Apesar da discrepância entre quem quer uma família e as famílias que querem adotar, a fila da adoção não termina.

Para a Juíza da Vara da Infância e Juventude de Santa Isabel e Igaratá, Dra. Claudia Vilibor Breda, o fato se deve ao perfil de crianças que essas famílias procuram: “Infelizmente os pretendentes buscam o filho ideal e nessa exigência não escolhem os negros e quanto mais a idade avança mais difícil fica para se conseguir uma família”, explica.

Dados da Vara da Infância de Santa Isabel, indicam que entre 2018 e 2022, 12 crianças foram encaminhadas para adoção na cidade. Ainda nos últimos cinco anos, 21 pessoas foram aprovadas no Processo de Habilitação para adoção pela Vara isabelense: “Nesta fase o casal ou pessoa individual, passa por um estudo social e obrigatoriamente precisa apresentar as devidas certidões criminais e/ou civis que comprovarão que ela está apta a entrar no processo de adoção”, explica a Juíza.

Dra. Claudia palestra em Igaratá no Dia Nacional de Combate ao abuso e exploração sexual infantil 

Uma vez aprovado no Processo de Habilitação, o casal ou pessoa, passa a integrar o Sistema Nacional de Adoção estando apto a adotar uma criança em qualquer estado brasileiro. Atualmente em Santa Isabel 7 crianças estão acolhidas entre o abrigo municipal e o orfanato do Redentor, mas nenhuma delas estão para adoção. Algumas delas, estão em processo de destituição familiar.

Os desafios da adoção durante e pós pandemia

Para Dra. Claudia a pandemia desafiou os trabalhos das varas da infância, pois todas tiveram que se readequar as necessidades dos protocolos sanitários: “Mesmo com todas as exigências conseguimos reunir os casais que pretendiam adotar e ministrar a eles os cursos preparatórios de adoção que não pararam mesmo com o isolamento social”, diz.

Até mesmos as visitas presenciais que ocorriam na própria instituição de acolhimento que antes da pandemia aconteciam em datas espaçadas, com um longo período de retorno, passaram a ser mais frequentes por meio de vídeo-chamadas, ligações e mensagens diárias.

“Eram meios de convivência entre as crianças e os pretendentes de adoção que não utilizávamos antes, mas que se mostraram eficazes na criação de vínculos”, diz.
Para a Juíza, o trabalho agora, pós pandemia, segue no convencimento e na conscientização das pessoas de que o processo de adoção não terminou, ele continua e cada vez mais crianças e adolescentes entram na fila na busca de um lar e de uma família.

“Para aqueles que tinham o desejo de adotar antes da pandemia, mas que, por medo ou receio, em decorrência da guerra sanitária que vivenciamos, optaram por deixar este sonho de lado, está na hora de reativar dentro de si este desejo que é o gesto mais singelo de amor”, salienta.

Ainda no tema adoção, na próxima quinta-feira, 02/06, Dra. Claudia participará de um bate-papo ao vivo no Programa de Frente como Ouvidor, a partir das 19h. Participe.

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