quarta-feira, junho 29, 2022
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Cresce acidentes com lagartas de fogo

Especialista dá dicas para os cuidados preventivos. Dias muito quentes aumentam os riscos de contato com as famosas lagartas de fogo

Por Bruno Martins

Lagartas de fogo ou taturanas são bonitas, mas mantenha distância

O calor seguido de chuvas e tempo úmido traz da natureza alguns insetos e bichos que por muito tempo acabam passando despercebidos, dentre estes estão as lagartas de fogo ou taturanas como são popularmente conhecidas. Embora de aparência até bonita, que atrai principalmente a curiosidade das crianças, o contato com elas esconde perigos que podem levar até a morte.

Cientificamente conhecida como Lonomia obliqua, diferente das outras taturanas, as lagartas de fogo têm seu corpo coberto de cerdas. Elas possuem diversas cores, mas a maioria é branca, preta, verde e marrom o que facilita a sua identificação nos locais onde costumam se abrigar.

Nesta semana, o filho de Aline Martins, moradora de Santa Isabel foi atacado por uma lagarta que estava dentro de sua roupa. A mãe percebeu que algum bicho machucou a criança, pois o menino chorava bastante e reclamava de muita dor na barriga.

Quando Aline levantou a camisa do filho, viu a lagarta grudada na roupa. “Na área onde ela passou, ficou completamente avermelhada e cheia de vergões”, conta.

O técnico Ambiental, Walter Ribeiro explica que apesar de perigosas, as lagartas são partes importantes na manutenção da biodiversidade. Originarias de áreas de florestas, elas acabaram cada vez mais próximas das cidades na medida em que os desmatamentos, as queimadas e as invasões destruíram o seu habitat natural.

“Isso acabou aumentando cada vez mais os riscos de contato com as lagartas, mas vale destacar que nem todas elas queimam. As lagartas lisas, sem cerdas, pelos e espinhos, geralmente são estágios iniciais das borboletas e não representam perigo”, explica Walter.

O especialista explica ainda que as lagartas Lonomia, geralmente possuem um material urticante que, através do contato com a pele, injetam venenos, nem sempre tóxicos, mas que causam queimaduras e alergias: “Dependendo da área afetada, elas podem causar sérios problemas em crianças, idosos, pessoas alérgicas e até animais”, diz.

Embora de aparência até bonita, que atrai principalmente a curiosidade das crianças
O contato com elas esconde perigos

Foi uma destas lagartas que atacou o bebê de Aline, de acordo com a mãe, levou três dias para que todos os sinais desaparecessem: “Me recomendaram passar uma pomada alérgica, mas não estava adiantando, ele continuava chorando e queixando-se de dor. Foi então, que mais tarde minha avó me recomendou passar babosa e foi o que melhorou. Rapidamente começou a desinchar e clarear a pele”, recorda.

Walter aconselha que caso ocorra o contato com a lagarta de fogo é necessário lavar imediatamente a área afetada com água e sabão, a fim de dissolver o veneno: “Nunca utilize outros produtos populares, como por exemplo o álcool, ou similares que podem aumentar as reações alérgicas. Se a alergia se espalhar além do local de contato e ocorrer dor de cabeça, febre e mal-estar, é necessário procurar um médico para receber um diagnóstico completo”, salienta.

No caso de pessoas alérgicas ou com alguma comorbidade, o tratamento precisa ser feito com soro antinolômico de maneira imediata, pois em alguns casos se não houver uma resposta rápida ao ataque o paciente pode apresentar complicações que podem inclusive levá-lo a morte.

Walter reforça os cuidados, mas também a informação de que as lagartas não devem ser mortas, como tentativa de se eliminar o risco de contato. Caso elas estejam em um espaço onde podem representar algum perigo, o ideal é retirá-las com cuidado, fazendo uso de um pedaço de galho, pá, ou qualquer outro objeto.

“As lagartas possuem um papel importante na manutenção da nossa fauna e flora, servindo como alimento para outras espécies, ajudando no ciclo orgânico dos nutrientes do solo, ajudando na polinização das plantas e na produção de alimentos na agricultura. Elas não trazem nenhuma contaminação e nenhum risco em contato com os locais ou os alimentos que consumimos, por isso jamais devemos matá-las”, finaliza.

 

Érica Alcântara
Érica Alcântarahttps://jornalouvidor.com.br
Jornalista, escritora e poeta, Érica Alcântara se formou em Filosofia pela Universidade Federal de Ouro Preto, Bacharelado e Licenciatura e há mais de 10 anos atua como repórter do Jornal Ouvidor
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