“Casmurro: Uma Releitura” destaca a atualidade do clássico de Machado de Assis

O documentário discute como “Dom Casmurro”, clássico de Machado de Assis, reflete questões da sociedade brasileira desde seu lançamento

Machado de Assis
Clássico da literatura brasileira "Dom Casmurro", Machado de Assis. Foto: Divulgação Internet

O Canal Arte1 exibe nesta quarta (13), às 18h, o documentário “Casmurro: Uma Releitura”. A produção original do canal discute como “Dom Casmurro”, clássico de Machado de Assis, reflete questões da sociedade brasileira desde seu lançamento em 1899, além de iniciar as comemorações de 185 anos do nascimento do autor em 2024.

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Para além do clichê “traiu ou não traiu”, que promove discussões acaloradas em redes sociais sobre “Dom Casmurro” nos dias de hoje, o documentário reflete como livro e sociedade andam juntos e é embalado pela leitura de trechos do livro pela atriz Aysha Nascimento.

“Bentinho precisava existir através de outra pessoa, como um certo vampiro. Capitu é uma sobrevivente”, pontua a atriz e escritora Maria Ribeiro que volta a interpretar a personagem nos teatros em 2024 em uma montagem apenas com mulheres.

Capitu desde o lançamento do livro foi tratada como adúltera. Enquanto o ciúme de Bento demorou a ser debatido. O psicanalista Christian Dunker analisa a alienação do personagem título e sua relação com a esposa. E o pesquisador Hélio de Seixas Guimarães conta como a discussão sobre a figura do narrador ganha força só depois da tradução de “Dom Casmurro” para o inglês, pela norte-americana Helen Caldwell nos anos 60, e como essa empreitada também originou o primeiro livro de estudos sobre o autor, chamado “O Otelo Brasileiro de Machado de Assis”.

As relações com obras da tradição literária permeiam a obra de Machado. Nara Vidal, autora do recente “Shakespearianas: As Mulheres em Shakespeare”, traça um paralelo entre Capitu e Desdêmona, Casmurro e Otelo, e o ensaísta e crítico Silviano Santiago, escritor do livro “Machado”, argumenta que o Bruxo do Cosme Velho apontava o dedo para um emaranhado de questões que circulam pela sociedade e literatura, desde o patriarcado da elite brasileira até o racismo de um período que vivia o fim recente da escravidão como aparelho legal. A assistente social e mediadora de leitura Camilla Dias compartilha a potência de ver Machado de Assis ser, enfim, reconhecido como um escritor negro.

“Casmurro: Uma Releitura”

Estreia: Quarta (13/12), às 18h

Reprises: 15/12, às 6h; 16/12, às 18h; 17/12, às 7h; 18/12, às 19h; e 19/12, às 13h.

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