Briga de menores vira manchete de fake news

Um vídeo mostrando a briga entre adolescentes viralizou na internet e fez de Arujá tema de reportagens e debates nacionais

Briga ocorreu no último domingo, no condomínio 5 em Arujá

A Polícia Civil já identificou e ouviu todos os envolvidos na briga entre adolescentes em Arujá. Aparentemente, a vítima dos golpes não é autista, alegação que potencializou ainda mais o vídeo a viralizar na internet.

Não há informações de onde surgiu a história de que o jovem agredido seria autista. Ocorre é que, mesmo o vídeo mostrando que os envolvidos são menores de idade, as pessoas compartilharam ampla e indiscriminadamente. Possivelmente, ampliando o dano moral e psicológico de todos os envolvidos.

O caso aconteceu no início da semana, dentro do Condomínio Arujá 05. Em nota, a Diretoria Executiva do condomínio informa que o relatório do fato foi encaminhado para as autoridades competentes para as medidas legais cabíveis. “Os envolvidos não são moradores do residencial e a Associação está à disposição das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários”.

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Segundo informações, os familiares da vítima procuraram a Delegacia de Polícia no dia seguinte para registrar as agressões e o setor de investigações identificou todos os envolvidos.

Entretanto, o Delegado titular de Arujá, Dr. Marcel Druziani, disse que por se tratar de menores de idade e, sendo a situação muito delicada, nada será divulgado pela Delegacia de Polícia.

“O que circula nas redes sociais é de responsabilidade de terceiros, inclusive criando grande confusão, o que não é salutar”, destacou a Autoridade. Dr. Druziani explica que a Polícia Civil está trabalhando no caso, com vistas a ouvir todos envolvidos, na busca de provas materiais e identificação de testemunhas.

“O principal agressor é menor de idade e, quando concluído, o caso será remetido ao Juízo da Vara Especial da Infância e Juventude”, diz.

Em casos desta natureza, o Delegado destaca a importância de registrar a ocorrência, “pois isso agiliza os trabalhos de Polícia Judiciária, e quanto às lesões podem desaparecer com o tempo, há necessidade de exame de corpo de delito, para aferir a gravidade”, finaliza.

Segundo Sonia Barradas, o Conselho de Pessoas com Deficiência de Arujá não foi oficialmente acionado sobre o caso. “Até onde sabemos o caso já foi remetido para o Ministério Público. Nossa preocupação é que, sendo autista ou não, é triste ver uma cena de agressão entre menores e a quantidade de gente que compartilhou, muitos incitando ainda mais violência”.

Especialista alerta para crime virtual

Segundo informações, os menores identificados como agressores contam que a motivação da briga se deu em razão do suposto envio de imagens pornográficas para uma das pessoas do grupo, sem o devido consentimento. A garota que recebeu o conteúdo seria menor de idade.

Ao analisar o caso, o advogado especialista em direto digital, Dr. Paulo Sábio alerta para o crime de envio e vazamento de conteúdo pornográfico, o que é discriminado na Lei Luana Piovani: “O que vale destacar principalmente é que a agressão não está acobertada por nenhum excludente de ilicitude, ou seja não há motivos que possam favorecer a agressão, como exercício regular do direito ou legitima defesa, pois a prática de violência foi desproporcional. Já o possível envio de nudes incorre no crime da Lei Luana Piovani”, finaliza.

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