Arte e renda

A história de quem encontrou no artesanato fonte de inspiração, renda e refúgio para as dores da vida

Na sequência: Dona Ivete, o jovem Denis e Dona Jô produzem artesanato em panos de prato e tapetes, seus produtos podem ser adquiridos na feira do artesanato que acontece na Praça Fernando Lopes. Foto: Bruno Martins

Há tempos Santa Isabel tornou-se a cidade do artesanato, são tantos que é impossível precisar qual arte a cidade produz mais e melhor. Dos panos de prato, aos tapetes, do crochê ao bordado, das pinturas em telas, até às artes estampadas no que um dia foi tapume de obra, em todo o ponto da cidade é possível encontrar algum trabalho produzido por artistas locais.

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Durante os dias de carnaval, os artesãos tiveram um ponto para exporem e comercializarem seus trabalhos. Eles ficaram provisoriamente abrigados nas dependências do antigo Cejusc, na Praça da Bandeira, mas com o fim da folia, voltaram para a Praça Fernando Lopes, local que já ocupam há anos, todos os sábados.

Quem vai até a praça nos fins de semana, encontra no meio de tanta arte, o encanto de pessoas que mais do que renda, fizeram do artesanato refúgio para algumas feridas. É na praça da galeria que Joselita Monteiro Santos Júlio, 64, ou Dona Jô como é popularmente conhecida encontra amigos e expõem sua arte que produz há 40 anos.

Os trabalhos de Dona Jô se destacam na confecção de tapetes e passadeiras. Longos, médios ou pequenos as opções para quem vai até a sua barraca não faltam. Foi com os tapetes que Dona Jô somou, por longos anos, renda junto ao marido serralheiro, criou os filhos e ainda hoje, auxilia na criação dos netos. A morte do marido, fez com que Jô tivesse que intensificar ainda mais os trabalhos.

Na superação da vida, Denis Willian Caraça, 36, entrou na arte há cerca de oito anos, quando acompanhava a mãe nos cursos da secretaria Municipal de Cultura de Santa Isabel. Sua mãe, morreu no ano passado, mas Denis não parou. O menino que tem síndrome de down, confecciona e vende os próprios panos de prato e tapetes e faz questão de explicar o passo a passo de sua produção para quem para na sua barraca.

“No ano passado, um turista que passou pela cidade comprou todos os tapetes do Denis e ele ainda produziu um lindo em homenagem aos 300 anos da igreja do rosário”, disse a secretária de Cultura de Santa Isabel, Terezinha Pedroso.

A ex-professora, Ivete Ribeiro Martins, 66, mudou-se para Santa Isabel após aposentar-se do magistério que exercia em São Paulo. A arte de crochetar, ela aprendeu aos 13 anos, mas na rotina do dia a dia, não conseguia tempo para produzir seus crochês. Hoje, aposentada, ela consegue através do artesanato, que aperfeiçoou graças a aulas da secretaria Municipal de Cultura de Santa Isabel, complementar a aposentadoria reforçando a ajuda financeira em casa.

De acordo com Terezinha Pedroso, os artesãos estão conseguindo cada vez mais visibilidade na cidade. Com a pandemia e as restrições impostas pelo avanço da Covid-19, muitos ficaram sem conseguir vender suas artes e precisaram até receber ajudas, da Promoção Social como cestas básicas, por exemplo: “Hoje muitos dos nossos artesãos conseguem se manter pelo arte que produzem e aqueles que precisaram no passado, de cestas básicas hoje não dependem dessa ajuda”, diz e completa: “Em breve, a secretaria de Cultura pretende ter um espaço fixo para instalarmos nossa Casa do Artesão, nela conseguiremos dar mais conforto a esses profissionais da arte para estes exporem e venderem seus trabalhos”.

Quem quiser prestigiar os trabalhos de Dona Jô, Ivete e do jovem Denis além de outros artesãos e artistas da cidade, podem conferir a exposição destas artes na secretaria de Cultura e na Praça Fernando Lopes, ambos situada na Av. República. A feira do artesanato acontece aos sábados das 9h às 17h.

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