A Sinuca

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Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor.

O Brasil está em uma sinuca internacional. O Ministro Alexandre de Moraes disse ontem em um evento que é preciso responsabilizar as empresas de tecnologia de comunicação pelo conteúdo de suas mensagens.

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Geralmente empresas como a Meta (Faceboock, Whatsapp), Instagram, Telegram, Twitter e Youtbe estão vinculadas às big techs, empresas de tecnologia que além dos programas e plataformas que possuem, produzem e recebem mensagens divulgando conteúdos que moldam a forma das pessoas trabalharem, comunicarem, venderem e consumirem determinados serviços, produtos e até mesmo, opiniões.

É tamanho o poder dessas empresas que já são responsabilizadas até mesmo por resultados eleitorais, mas que atualmente passam impunes na difusão das teorias que disseminam o ódio, o racismo, o preconceito e outros males que a humanidade vem aprendendo a conviver na velocidade da luz.

Desde há muitos anos os veículos de comunicação são responsáveis por tudo que divulgam. E a responsabilidade não se limita à natureza do conteúdo, são responsabilizadas também pelo alcance que a mensagem atinge. Os jornais, as emissoras de rádio e televisão são punidas quando as mensagens divulgadas injuriam ou difamam qualquer pessoa ou empresa e essa punição leva em conta a extensão do universo onde atuam.

Já os meios eletrônicos não! Em nome da liberdade de opinião, elas se dizem apenas empresas de “mídia”, ou seja, apenas entregam a mensagem, sem avaliar a sua verdadeira natureza de divulgadores de mensagens boas e também ruins. E, essas últimas, têm em geral alcance muito maior do que as boas.

Um filósofo da comunicação de meu tempo de universitário, o canadense Herbert Marshall Mcluhan autor da expressão “Aldeia Global”, tinha como sua máxima a expressão “O meio é mensagem”. Queria dizer que, ainda se você use tambores para se comunicar, o modo como os usa indica quem você é. Ou seja, além da mensagem, do conteúdo, o próprio tambor é uma comunicação que indica algo.

Surge aqui a sinuca do Brasil. Todas essas plataformas estão sediadas fora do país e possuem uma força que a sociedade jamais imaginou que existisse. O poder delas pode ser maior do que o político ou jurídico. As nossas leis têm alcance dentro do território nacional, mas as redes sociais têm alcance mundial. O Telegram aceitou quando o Ministro endureceu, mas foi apenas um recuo. Pode chegar a hora em que a briga pelo poder da mensagem ultrapasse o poder a Lei. Aí é que saberemos o que os algoritmos nos reservam!

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