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Roberto Drumond - Editor chefe do Jornal Ouvidor. Em texto de opinão ele analisa a situação dos funcionários públicos de Santa Isabel

Não tenho procuração e nem interesse em defender o ex-ministro Milton Ribeiro, preso esta semana e liberado no dia seguinte. Simplesmente fico indignado com a utilização dos instrumentos jurídicos para causar efeitos políticos.

Qualquer estudante de direito sabe que para ser decretada a prisão preventiva o código de processo penal estabelece alguns requisitos que devem ser respeitados por quem requer a prisão ou por quem julga o pedido.

No caso dos crimes denunciados contra o ex-Ministro Milton Ribeiro e os pastores que o cercam não há, em meu pobre entendimento, nenhuma evidência que justifique a prisão preventiva, tanto que, no dia seguinte, outro Juiz a revogou devolvendo a liberdade aos autores do escândalo que abalou a seriedade do Ministério da Educação.

Só encontro explicação para esse feito se olhar pelo ponto de vista da campanha eleitoral que se avizinha. A descoberta da maracutaia da liberação de verbas através do pedido de pastores provocou um vergonhoso escândalo de repercussão internacional para Brasil. Poucas semanas depois, um novo escândalo, o assassinato de duas pessoas envolvidas na proteção das populações indígenas e do meio ambiente da Amazônia. Esse, mais uma vez com ampla e revoltada repercussão internacional.

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Como fazer crescer essa imagem negativa para o país e para o atual governo: lançando outro escândalo. Na falta de algo mais novo, é requentar aquele que já caiu na fossa da indiferença: prender o ex-Ministro e seus asseclas para que o tema volte às ruas.

Trata-se como ocorreu com a “Lava Jato” de se utilizar dos mecanismos da Justiça para fins ideológicos, essencialmente políticos. A quem interessa detonar com a imagem do atual governo? Trata-se de dar colorido à justiça que, por sua própria natureza deve ser em branco e preto: o branco do papel e o preto da tinta. Mas não: buscam nos instrumentos legais causar uma repercussão de modo a tingir a reputação de outrem, indiferentes aos reais interesses do país fazendo o que na imprensa se chama de “factóide”: uma farsa fingindo ser notícia.

O que vem sendo feito, não me arrisco a dizer por quem, é simplesmente a manipulação dos fatos de modo a influenciar os eleitores. Esses artifícios sempre foram utilizados no meio político, mas com o advento da internet e a sua capacidade de multiplicar informações e desinformações tornou-se numa praga destinada a conquista do poder. É preciso que a população fique atenta e avalie os acontecimentos e as notícias com uma visão crítica que permita entender a quem interessam os fatos narrados e tirar os farsantes de cena.

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