Vidal diz que o prejuízo pode ser de dois milhões

Exaltado e indignado com o que chamou “de tapa na cara” do povo de Santa Isabel, Vidal diz que houve queda nos repasses do Ministério da Saúde para o município em decorrência da redução do número de atendimentos no ESF

Saúde Política Em 21/08/2015 17:30:10

Reportagem: Roberto Drumond

 

 

Depois de quase duas horas da monótona leitura do relatório de quarenta páginas da comissão especial de inquérito destinada a apurar eventuais irregularidades na administração do programa Estratégia da Saúde da Família, o clima na Câmara de Vereadores de Santa Isabel esquentou.

Ao usar a tribuna o presidente da CEI, ver. Jorge Vidal abriu a sua fala afirmando que a instituição Casa de Saúde Santa Marcelina assumiu a administração das ESF para “roubar” o dinheiro do município. E acrescentou: “tudo com a conivência do Prefeito, Padre Gabriel Bina e do secretário de saúde”.

A leitura que incluiu todos os depoimentos prestados diante da Comissão mostrou que foi a partir das declarações do Secretário de Saúde, Leonardo de Aquino Diniz, que a comissão se instalou e obteve as principais provas que indicam a ocorrência de irregularidades que, segundo o Vereador, podem ultrapassar a dois milhões de reais.

No centro do turbilhão está a médica cubana Dra. Yirmia Rondon Martinez, 39, que contratada e remunerada pelo governo federal dentro do programa “Mais Médicos”, teve seus vencimentos incluídos na prestação de contas da Casa de Saúde Santa Marcelina. – Só nessa irregularidade sumiram mais de 400 mil reais por ano, em contas simples demonstradas pelo próprio Secretário, acentuou Vidal.

Vidal diz que nos 17 meses de atuação do Santa Marcelina não houve, em um único dia, sete médicos nos ESF “nem mesmo os seis, considerando que a médica cubana ocupava indevidamente uma das equipes”.  – A instituição não cumpriu com o contrato, dizia que tinha profissionais suficientes para atender todas as equipes e nunca teve. E, depois de receber o dinheiro devido pelo contrato sem ter os médicos, disse ter gasto os recursos na reforma dos Postos de Saúde. Mas durante um ano foram funcionários da prefeitura que carpiram, trocaram lâmpadas e fizeram a manutenção das unidades que, pelo contrato, deveriam ser feitas pela própria entidade.

Vidal ainda aponta a ocorrência de fraude em atas da secretaria da saúde afirmando que a assinatura da ex-secretária e, mais tarde diretora de saúde, Arlete Pinheiro é um simples “rabisco”. Distinguindo que os funcionários deram depoimento de boa vontade, às vezes constrangidos, Vidal explica que embora a Prefeitura tenha destinado mais de 1,5 milhão de reais para o Santa Marcelina faltou médicos, medicamentos e insumos para a população apesar de o contrato obrigar a entidade a fornecer todo o material necessário.  – Tem uma despesa, apontou o Vereador, que na prestação de contas o Santa Marcelina registrou como demissão pelo fim do contrato e indenização de pessoal: “Não houve demissão nenhuma. Só nisso ai foram mais de 400 mil reais”.

Ao final de sua fala Vidal afirma que já encaminhou o relatório para o Tribunal de Contas e para o Ministério Público Federal. – Sei que a nossa justiça é lenta porque tem muito processo, mas sei também que mais cedo ou mais tarde isso vai aflorar para valer. Tem de ser feitas muitas perícias, mas isso não vai ficar assim porque é um tapa na cara do povo de Santa Isabel.       

OLHO - Ao usar a Tribuna o relator da CEI, vereador Odilon Fernandes, minimizou o relatório da Comissão afirmando que o Prefeito Padre Gabriel Bina poderá refazer a prestação de contas, justificar os problemas apontados e, eventualmente, até devolver o que for considerado prejuízo em razão do “equívoco”.

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