Vice-prefeito pode ser um dos líderes da facção criminosa

Márcio Oliveira foi detido na 2ª etapa da Operação Soldi Sporchi, acusado de envolvimento com esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado em contratos da saúde

Segurança Pública Em 31/07/2020 20:07:06

Na última quinta-feira, 30/07, Arujá foi novamente sacudida com a notícia de prisões e de buscas e apreensões, envolvendo agentes públicos da cidade. O atual vice-prefeito Márcio Oliveira (Republicanos), foi preso temporariamente pela Polícia Civil de São Paulo, ainda no âmbito da Operação “Soldi Sporchi”, iniciada em junho e que já tinha realizado a prisão do ex-secretário de Segurança Pública do município.

A investigação policial apura a utilização de contratos públicos para a lavagem de dinheiro arrecadado nas atividades criminosas da maior facção que atua dentro e fora dos presídios de São Paulo. 

Segundo informações, Márcio é apontado como o líder da operação da organização criminosa dentro da Prefeitura de Arujá, envolvendo especialmente o contrato de Organizações Sociais controladas indiretamente pelos criminosos para gerenciar a Saúde da cidade. 

Por esse motivo, a Justiça expediu mandado de busca e apreensão apenas para o gabinete do Vice-Prefeito no Paço Municipal, não havendo cumprimento de quaisquer medidas nos demais setores da Prefeitura ou envolvendo qualquer outro servidor público de Arujá.

Relação de longa data

O maior líder da quadrilha, segundo as investigações, seria o narcotraficante Anderson Lacerda, que consta na lista privada da difusão vermelha da INTERPOL por tráfico internacional de drogas, por conta de uma condenação da 5º Vara Federal de Santos/SP. 

Segundo informações, Anderson tem conexões com a máfia italiana, e é antigo conhecido da polícia por operar a denominada “Rota Caipira” do tráfico de drogas.

Em pesquisa ao site do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram localizados processos do ano de 2011, em que Márcio Oliveira atuou como advogado de Anderson Lacerda, em caso de tráfico de drogas perante a 2ª Vara Criminal de Mongaguá (processo nº. 0001724-62.2010.8.26.0366), e também na 16ª Câmara de Direito Criminal do TJ/SP (Habeas Corpus nº. 0051910-86.2011.8.26.000), neste último conseguindo colocar Anderson em liberdade, comprovando que a relação existe entre eles há muitos anos.

Vazamento de Conversas de WhatsApp

Documentos vazados ainda na primeira fase da operação, realizada em 03 de junho, demonstram que Márcio Oliveira tinha proximidade com as demais pessoas apontadas como membros da quadrilha. 

“Prints” de telas de celulares indicam conversas entre o vice-prefeito e membros da organização criminosa, inclusive com a menção a cheques e pagamentos.

O delegado que comanda a investigação, Dr. Fernando Santiago, afirmou que desde o início da operação a conduta de Márcio vinha sendo cuidadosamente investigada, por conta dos fortes indícios de que teria um vínculo estreito com os criminosos. 

Segundo o Delegado, a atuação da quadrilha seria na celebração de contratos na área da saúde, e a investigação está na fase final. “Acreditamos que esse inquérito será encaminhado ao MP nos próximos dias, colocando todos aqueles que a investigação apontar indícios de ligação com os fatos criminosos a disposição do judiciário”, afirmou.

A defesa de Márcio Oliveira não se manifestou, alegando que não teve acesso aos autos. A Prefeitura de Arujá emitiu nota, confirmando a operação, bem como que a busca e apreensão limitou-se ao gabinete do vice-prefeito.

Márcio confessou a veracidade dos “prints”

No dia 26/06 o Vice-Prefeito foi ouvido pela CEI - Comissão Especial de Inquérito da Câmara Municipal de Arujá. Nesta oitiva, Márcio confessou que o “print” da conversa entre ele e um dos investigados na Operação “Soldi Sporchi” é verdadeiro.

“O que houve foi uma prestação de serviço, o cheque voltou. Estou muito tranquilo para que em qualquer esfera possa prestar esclarecimentos”, declarou o Vice-Prefeito.

Quando questionado sobre qual foi a prestação de serviço, Márcio disse que apresentaria sua versão dos fatos às autoridades policiais, se requerido.

Márcio chegou a ser prefeito interino por um curto período. Enfatizou ter tido as contas aprovadas tanto pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) quanto pela Câmara. “Nos 15 dias que fui prefeito interino, não assinei nenhum contrato administrativo nem participei de processos licitatórios”, acrescentou.

A CEI da Casa de Leis apura as possíveis irregularidades entre os contratos públicos e processos licitatórios da Prefeitura de Arujá. 

Sindicância Aberta 

A Prefeitura de Arujá abriu sindicância no início de junho para revisar os contratos relacionados a operação e ainda não tem um prazo de conclusão. 

Diante da prisão do Vice-Prefeito, a administração não informou se vai abrir nova sindicância referente aos contratos da Educação, uma vez que Márcio atuou como secretário desta Pasta no início da gestão.

De acordo com a assessoria de imprensa, para verificar quais ações deverão ser adotadas, a Prefeitura aguarda os desfechos das investigações da Polícia Civil, que ocorrem sob segredo de justiça.