Vereador protesta contra atendimento no PS

Na semana passada uma auditora do Ministério da Saúde esteve na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Isabel e saiu impressionada

Saúde Em 06/09/2019 19:59:47

Na semana passada uma auditora do Ministério da Saúde esteve na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Isabel e saiu impressionada: “Como um serviço dimensionado para atender até 100 pessoas por dia, consegue atender uma média de 300 pacientes?” Na última terça-feira, o vereador Márcio Pinho usou a Tribuna da Câmara para fazer a mesma pergunta e acrescentou: “A UPA recebe a metade dos recursos disponibilizados para a empresa Caminho de Damasco, gestora das unidades de saúde da família e UBS’s, que deveria cuidar da atenção básica!”

A UPA de Santa Isabel é gerida pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia e, segundo o diretor Daniel Frugoli, tem atendido de 300 a 350 pessoas por dia e, deste total,cerca de 70% dos casos deveriam ser resolvidos nos Postos de Saúde. E de fato: o Ministério da Saúde estabelece que na classificação de risco, método adotado para definir as prioridades no atendimento à saúde, os pacientes classificados com as cores azul e verde podem aguardar o atendimento em até quatro horas, são considerados serviços de atenção básica. 

O Sistema Unificado de Saúde preconiza que o atendimento à atenção básica são competências dos postos de Estratégia de Saúde da Família e das Unidades Básica de Saúde (ESF e UBS), em Santa Isabel sob a responsabilidade da Caminho de Damasco. O coordenador assistencial em Santa Isabel, Gabriel Efraim explica que tem sob seu cuidado um total de 11 unidades de atendimento, com cerca de 20 médicos e 62 funcionários. Ele acrescenta que, no mês de julho foram atendidos pelos postos 4.253 usuários, mantendo a média nessa quantidade.

Em contas simples o vereador Márcio demonstra que: “se a Caminho de Damasco atendesse todos os pacientes da atenção básica o seu número de atendimento teria sido de 8.591 pacientes no mês de julho. Enquanto a UPA, teria atendidoaté 2.892 pessoas no mesmo período. Deste modo, mantendo a mesma quantia paga hoje, tanto a Caminho de Damasco quanto a UPA estariam recebendo da Prefeitura de Santa Isabel cerca R$95,00 por paciente”, diz o Vereador.

Indignado, o vereador Márcio Pinho apontou que os dois médicos no plantão da UPA atendem nos dias de pico mais de 300 pacientes: “Se descontarmos o tempo de descanso e de alimentação, sobram um ou dois minutos para cada paciente, impossível dar um atendimento de qualidade e porquê? Eu vi, pilhas e pilhas de encaminhamentos feitos pela Caminho de Damasco para a UPA, sobrecarregando os serviços especializado que tem um custo muito mais alto do que o da atenção básica e a UPA recebe pouco mais de R$400 mil por mês”.

Para o Vereador, tudo isso tem uma explicação: “a atenção básica no município não está funcionando. Se as pessoas recorrem à UPA é porque não são atendidas nos Postos de Saúde. A atenção básica não está sendo resolutiva. E recebe um caminhão de dinheiro, quase R$800 mil por mês. É um desperdício de dinheiro público. É uma insanidade o que se paga hoje para essa empresa, sem critério e sem fiscalização alguma”, disse o vereador Márcio.

Para a Caminho de Damasco há uma explicação para o que acontece, segundo Guilherme, os postos sob sua responsabilidade não solucionam o problema do paciente em situação de crise. “Somente a UPA disponibiliza medicamentos e exames na hora que o paciente necessita, nos postos de saúde fazemos o básico, mas com medicamentos orais, mas o paciente em geral quer algo que resolva o seu problema em poucos minutos. E outro dado importante: os postos fecham às 17h e é somente depois desse horário que os trabalhadores, após o expediente, podem procurar atendimento médico e encontrando os Postos fechados, recorrem à UPA”, afirma.

Guilherme acrescenta ainda outro fator. Ele conta que as unidades dão atestado médico em função do tempo em que o paciente esteve esperando o atendimento, mas todos eles querem o atestado para o dia inteiro. “Resultado, vão para a UPA porque lá sabem que terão a justificativa trabalhista”, diz.

A diretora de saúde do município, Arlete Pinheiro, diz que a administração municipal tem conhecimento dos fatos relatados pelo Vereador e que tem cobrado da Caminho de Damasco mais eficácia no serviço prestado, mas “a população muitas vezes desconhece a quem compete cada tipo de atendimento e procura o que lhe parece mais eficiente”, explica. 

Arlete destaca que a cada mês três unidades sob os cuidados da Caminho de Damasco são visitadas pela Secretaria e apontadas todas as ocorrências que fogem ao protocolo exigido pelo Ministério da Saúde. “Encontramos problemas que poderiam ter sido resolvidos com boa vontade e treinamento das pessoas envolvidas, mas infelizmente tem sido assim e estamos correndo para encontrar uma solução que atenda ao interesse da população”, diz.

Segundo a Diretora de Saúde, na próxima semana uma reunião entre a empresa, a UPA e a secretaria de Saúde deverá encontrar uma forma de resolver essa questão. Arlete reconhece que não há como a UPA suportar todo o serviço. “É preciso melhorar”, finaliza.