Vale lembrar: Nas urnas também se faz manifestação popular

Por Luis Camargo

Colunas & Opiniões Em 28/04/2017 18:40:57

 

Pela Constituição Federal é absolutamente legítimo o direito de greve por parte dos trabalhadores e, em determinadas circunstâncias, apenas com a paralisação das atividades é que a classe operária consegue expressar seu inconformismo e obter seus direitos.

A greve do trabalhador, no caso, tem por objetivo exercer pressão para obtenção dos justos anseios relacionados ao direito do trabalho, entretanto, coisa absolutamente diversa é a chamada “greve política”, tal como a realizada nessa 6ª feira, que não tem nenhuma relação com condições de trabalho ou com a relação de emprego. 

A paralisação mediante a greve política em questão tem por objetivo pressionar os Deputados Federais e Senadores para a não aprovação de vários temas em discussão no Congresso Nacional, notadamente, a duvidosa reforma previdenciária. Deixamos bem claro aqui, que não pretendemos defender a reforma previdenciária, ao contrário, pois grande parte das medidas propostas são realmente prejudiciais à classe operária. 

Nosso objetivo é apenas lembrar o seguinte: Na relação de emprego o trabalhador não tem direito de votar e eleger os diretores da empresa onde trabalha, e assim, em situações extremadas, diante da não concessão de seus direitos trabalhistas, a greve por vezes se torna o único instrumento para socorrer o operário na busca de seu direito. 

Todavia, situação absolutamente diversa ocorre na greve política, como a ora em curso, que busca pressionar deputados e senadores – escolhidos pela população -, para não aprovarem as medidas de reforma previdenciária e outros ajustes fiscais pretendidos pelo Governo. 

A classe política que domina o Congresso Nacional se repete no poder há mais de 20 anos, e é sempre reconduzida com facilidade pelos braços da população. Detalhe, dessa mesma população que agora faz a greve contra a inércia dos próprios parlamentares em que votou.

Novamente se aproximam as eleições. Falta pouco mais de 1 ano para o início da campanha política dos Deputados Federais, Senadores etc,cabendo agora as seguintes perguntas: 

– Aquele que hoje mobiliza na greve, lembra-se em quem votou para Deputado Federal? 

– Caso se lembre, qual a posição desse Deputado Federal quanto a reforma previdenciária? 

– E mais, referido Deputado Federal merece novamente ser votado nas eleições de 2018?

Esse é o ponto. Deve ser assegurado o direito de manifestação popular, entretanto, é apenas nas urnas que se consegue, de fato, mudar os rumos do país.

Dr. Luis Camargo

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