Valdevina, a moradora mais antiga da ocupação da Vila Socó

A primeira mulher a chegar na ocupação do Jd. Via Dutra, em Arujá, luta para sobreviver

Cidades Em 11/05/2018 21:37:20

por Gabriel Dias

“A luta continua”, essas são as palavras de Valdevina Pereira da Silva, 53 anos. A mulher humilde disfarça as dores do corpo e da alma distribuindo alegria para aqueles que se aproximam na expectativa de conhecê-la. Dona Val é símbolo de luta para os moradores do terreno da empresa Tecnon, no Bairro Jd. Via Dutra (Vila Socó).

Moradora mais antiga do local, Val lembra das feridas abertas ao longo dos dez anos da ocupação. Lembra do esposo que morreu deixando-a com sete filhos. Eles moravam em Guarulhos, mas sem dinheiro para o aluguel precisou ir embora. Morou na praça, na rua,  passou fome, frio, enfrentou o medo e decidiu que precisava garantir o sustento para seus filhos. Juntou papelão o suficiente para chegar em Arujá, onde ficou sabendo que havia uma área a ser ocupada: a Vila Socó.

Sua casa fica numa rua sem nome. Líder, Dona Val passou a organizar a área, enquanto pode fez diversos abaixo assinados para garantir o mínimo de atenção para o Bairro. Alguns funcionaram, mas em outros, nada saiu do lugar.

Nem o lixeiro entra na ocupação, exigindo que os moradores improvisem uma lixeira coletiva. Moradores reclamam da falta de transporte escolar para as crianças, da falta de um ônibus no bairro e detalhes como a iluminação pública. “O combate é grande”, lamenta.

Val tem o lado esquerdo do corpo paralisado, não pode trabalhar e toma remédios para controlar a pressão alta e convulsões. Ao todo são oito medicamentos por dia. Sua renda mais segura é o Bolsa Família no valor de R$ 80,00, mas tem dias que ela não sabe se compra remédios ou comida para os filhos. “Às vezes, para comer, dependo da ajuda dos outros. É difícil, sempre fui muito independente, mas de uns anos para cá tudo mudou”, lamenta: “Tenho saudade dele”, lembra do esposo que se foi.

Val evita andar de ônibus, principalmente sair do Bairro. Segundo ela, sempre que vai algum lugar tem de levar uma acompanhante. “Tenho medo de convulsionar na rua e não voltar mais para casa”, chora. - É difícil precisar de ajuda e não ter a quem recorrer. “Já morei na rua, mas sempre trabalhei e agora não posso fazer nada, a não ser orar a Deus”, diz com lágrimas nos olhos.

Ela diz que não recebe ajuda da Prefeitura, mas espera receber ajuda da assistência social ou de alguma empresa solidária. “Só não quero deixar de dar alimento a meus filhos”, comenta. Sabendo que muito longe não pode ir, Dona Val batalha para conseguir se aposentar por invalidez mesmo sabendo que está fadada a viver rodeada de remédios. Mas ela tem uma certeza: “A luta continua”.