Último voto

por Roberto Drumond

Crônicas Em 31/08/2018 21:48:53

21h38 da noite de sexta-feira, dia 31/08. Ainda não terminou a sessão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o Brasil aguarda em suspense. O primeiro a votar, foi o relator do caso de Lula, ministro Luís Roberto Barroso barrou a candidatura do ex-presidente com base na Lei da Ficha Limpa, que impede condenados em segunda instância de concorrer a cargos eletivos. Seu voto deve ser seguido por outros ministros entre eles a presidente da Corte, Rosa Weber que, segundo analistas, deve manter a mesma posição assumida no julgamento do habeas corpus do ex-presidente em abril desse ano. Na ocasião ela seguiu o voto do relator, o que pode acontecer nesse julgamento.

A manifestação de Barroso teve ainda outros condimentos. Deu dez dias para o Partido dos Trabalhadores substituir o cabeça de chapa (o candidato a vice Fernando Haddad) e proibiu Lula de contribuir na campanha seja pela TV ou pelo rádio. E ainda determinou que o PT só poderá fazer os programas de TV depois que a chapa estiver pronta, sem o nome de Lula.

Essa é certamente a pior sentença dada ao ex-presidente. Sua prisão não é nada diante de sua condenação ao ostracismo que pode ser o que aconteça caso ele continue fora do cenário político. Qualquer outro governante que não se identifique com as bases do PT vai lutar para que o manto do esquecimento abata sobre o ex-presidente. E não é difícil que isso aconteça no Brasil, salvo se o próximo presidente seja pior do que foi Dilma e Temer. Nesse caso, Lula voltará como candidato da esperança!

Uma pesquisa divulgada em janeiro de 2018, pelo Instituto Idea Big Data, a pedido do Woodrow Wilson Center, dos Estados Unidos, indica que 79% dos brasileiros entrevistados não se recordam em quem votou para deputado federal e senador. Não foi questionado em quem se votou para presidente e governador, mas a julgar com o que acontece nas eleições para prefeitos, é possível que uma parte dos eleitores sequer se lembre em quem colocou como presidente.

O motivo desse esquecimento, segundo o Instituto, é porque as eleições parlamentares são realizadas ao mesmo tempo em que se escolhe o presidente e o governador. Outro motivo é o sistema de voto proporcional em que o voto do eleitor soma na legenda, dando posse nem sempre ao indicado no voto. Por último, aponta que o curto tempo de campanha tende a beneficiar os candidatos que estão em mandato, já que têm quatro anos de possibilidades de ampliar sua base eleitoral.

Se Lula permanecer como rosto fora da urna só sobreviverá como político na condição de guru, inspirador da esquerda que teve oportunidade de mudar o país e não o fez!