Tragédia nossa de cada dia!

por Roberto Drumond

Crônicas Em 15/03/2019 21:41:06

Não há outro tema a ser debatido nessa coluna dessa semana senão a tragédia na Escola Raul Brasil, em Suzano. A notícia impactou o mundo inteiro. O Brasil estava habituado a assistir esse tipo de noticiário em outros países, mas aqui, ao nosso lado, parece que os tiros nos atingem diretamente no peito. Os autores e as vítimas são nossos filhos, irmãos, parentes, amigos.

Uma reflexão anônima nas redes sociais observa que “Os meninos não mataram porque o porte de arma é um projeto do atual governo. Não mataram porque jogavam jogos violentos. Os meninos não mataram porque a escola foi omissa. Os meninos não mataram porque sofreram Bullying”.

- Eles mataram porque as famílias estão desestruturadas e fracassadas, porque não se educa mais em casa, não se acompanha mais de perto, a tecnologia substitui o diálogo, presentes compram limites, direitos e deveres e não há o conhecimento e respeito a Deus. Precisamos parar de nos omitir, de transferir culpas. A culpa é minha, é sua, de todos nós! "A violência é o desdobramento de carências afetivas, da necessidade de ser visto e notado, ainda que da pior maneira. As armas não matam, o que mata é a ausência de AMOR!!!”

Tão logo eu soube da notícia estarrecedora corri para internet para saber mais e buscar entender o que aconteceu. Chamou-me a atenção o fato de os criminosos estarem de máscaras embora estivessem cientes de que o fim seria mesmo a morte, o suicídio. Por que não mostrar o próprio rosto? Expor a própria raiva? Queriam impor medo, não o medo deles como pessoas, nem como ex alunos. Mas o medo de um “avatar”, um personagem criado por suas imaginações capazes, eles sim, de matar com tiros e machadadas, senão com flechas, quem quer que surja em sua frente.

A reflexão proposta é relevante e reveladora. “Bullying” entre crianças sempre existiu e todos nós passamos por momentos na vida em que desejamos deixar de ser o que somos para nos transformar em super-herói, seja para encantar ou para expressar nossa frustração, e nem por isso cometemos crime algum.

O que encoraja pessoas com desvios de personalidade a agir como os dois rapazes é na realidade a falta de percepção do valor próprio, é a ausência de uma identidade social provocada, isso sim, por uma sociedade consumista que valoriza o “Ter” e não o “Ser”, e que impõe valores muito aquém dos reais interesses sociais e humanos.

Todos os que morreram, autores e vítimas, são na realidade resultado de nossa incapacidade de compreender as mudanças que a vida está exigindo de todos nós. Mudanças que começam, como diz o Mensageiro, com a restauração de nossa capacidade de amar o próximo como a nós mesmos, de construir um mundo de diálogo, entendimento e especialmente, respeito pelo ser humano e pela sociedade na qual precisamos viver.