Sífilis mata recém nascido

O caso ocorreu no último dia 11, e envolve um bebê que tinha cinco dias de vida. Um laudo da Santa Casa da cidade, confirma a morte por choque séptico e sífilis congênita

Saúde Em 20/10/2017 23:40:09

Por Bruno Martins

Com a morte de um bebê registrada em Santa Isabel na quarta-feira, 11/10, a região já contabiliza três mortes por sífilis em 2017, dois casos fatais ocorreram em Suzano. 

De janeiro até agosto deste ano Santa Isabel registrou 34 casos de sífilis. A doença é transmitida sexualmente (DST) e as Secretarias de Saúde reforçam a importância do uso de preservativos nas relações sexuais. 

A reportagem questionou os 11 municípios da região sobre o número de casos confirmados de sífilis em 2017 e 2016 e quantos destes totais foram a óbito. Foram pesquisadas as dez cidades que compõe o Alto Tietê e Igaratá que pertence a região do Vale do Paraíba. Sete municípios se manifestaram até a publicação desta matéria. 

Suzano com 246 casos e Ferraz de Vasconcelos com 157 são os municípios que mais registraram a ocorrência de sífilis neste ano. Poá tem 34 pessoas contaminadas e Guararema 17. Entre Arujá, Igaratá e Santa Isabel esta última tem o maior número de casos, até agosto foram 34 pacientes diagnosticados com a doença. Em 2016, a sífilis deixou Santa Isabel em alerta, foram 75 casos registrados em dez meses, conforme matéria publicada na edição 1098 do Jornal Ouvidor.  

Devido a problemas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, Santa Isabel não conseguiu até a tarde de ontem informar os números atuais de sífilis registrados de janeiro até outubro. 

A secretaria de Saúde de Arujá informa que há oito casos de sífilis neste ano, em 2016, a cidade registrou 19, deste total, quatro foram congênitas (transmitidas da gestante para o bebê). Em Igaratá foram registrados, de janeiro até a tarde de ontem, quatro casos de sífilis.   

De acordo com os dados da secretaria de Saúde de Santa Isabel, o bebê que veio a óbito em decorrência da doença, adquiriu a sífilis nos períodos finais de gestação da mãe: “Tanto a mãe quanto o pai fizeram corretamente o tratamento médico, já não possuem mais a doença, mas no bebê não foi possível impedir o agravo. O recomendável é que o tratamento contra a sífilis se estenda por 30 dias antes do parto para garantir que o bebê nasça sem a infecção”, explica a diretora de Vigilância Epidemiológica de Santa Isabel, Estela Santana. 

O boletim médico da Santa Casa de Misericórdia informa que o bebê morreu com cinco dias de vida, por sífilis congênita e choque séptico (infecção que se alastra pelo corpo atingindo vários órgãos). 

Ambulância demorou três horas para buscar bebê

Antes da morte do bebê a Santa Casa chegou a solicitar uma ambulância para transferir a criança para um hospital com UTI – Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. 

Administração da Santa Casa explica que, a ambulância foi solicitada às 8h de quarta-feira, 11/10, mas até às 11h45 não havia chegado em Santa Isabel. “A própria Santa Casa ligou para a empresa Max Emergência, responsável pelas remoções, para cancelar o pedido, em decorrência da morte do bebê”, informa. 

De acordo com a diretora financeira da Saúde, Michele Moreira Mendonça, a Prefeitura possui contrato com a empresa Max Emergência que deve atender um chamado em até 50 minutos, após o primeiro pedido. “Para as remoções feitas com ambulância UTI adulta são pagos R$1.500,00 para cada viagem e para as remoções feitas com a ambulância UTI infantil, são pagos R$2.445,00”, diz. 

Michele explica quando há suspeita de morte provocada ou em decorrência da demora da ambulância UTI, a unidade que solicitou a ambulância informa a secretaria de Saúde sobre o caso e a Secretaria notifica a empresa. O que não foi feito até ontem.