Saúde pede socorro

Servidores municipais de Igaratá rompem o silêncio e denunciam descaso na saúde

Saúde Em 23/02/2013 11:07:53

Embora o principal tema da última sessão de câmara de Igaratá tenha sido o corte do transporte escolar feito pelo prefeito Elzo de Souza aos estudantes da Boa Vista, o fato do executivo ter enviado projetos para câmara privilegiando um grupo seleto de funcionários, foi o estopim para os servidores da saúde, pela primeira vez, em anos, cobrarem dos vereadores que impeçam estes rompantes do executivo. “Não temos médico, não temos material, falta medicamento e tem funcionário que já morreu há anos e ainda não foi substituído”, reclamam.

Os funcionários reclamaram que falta agente de saúde e, dos que estão trabalhando, alguns são requisitados a trabalhar no ambulatório e não ficam no PSF – Programa Saúde da Família, “não estão nos dando condições de trabalho, nem uniforme, avental ou botas nos dão, e ainda disseram que não vão contratar mais ninguém. Se o PSF funcionar direito, não sobrecarrega o ambulatório”, dizem.

A revolta dos servidores da saúde ficou ainda mais evidente, quando o vereador Benedito Carlos revelou que o prefeito Elzo de Souza solicitou em seu projeto que os operadores de máquina mudassem de referência salarial, de 12 para 16. “O executivo não pode dar um tratamento diferenciado para cinco ou seis funcionários que operam máquinas rodoviária, lhes concedendo aumento de R$ 1.042,20 para R$ 1.871,90, sem que o restante dos servidores fiquem indignados.  

Benjamim de Lima salientou aos colegas da bancada que o Prefeito pode até mandar um projeto que privilegia poucos, mas que aprova ou não são os vereadores. “O executivo precisa pensar num equilíbrio, montar um plano de carreira, pois separar os operadores de máquina rodoviária dos de máquina agrícola, mantendo o segundo na referência 12 já demonstra o quão injusta é esta proposta”, destaca.

Benedito Carlos lembra que na referência 16 estão, entre outros, profissionais como: farmacêutico, fisioterapeuta e psicólogo, “todos exigem diploma de graduação e diversas especializações, como o Prefeito justifica mudar da categoria 12 para 16 somente os operadores de máquinas rodoviárias, que não precisa ter esta formação?”, questiona aos colegas da situação. Benjamim acredita que o projeto deve ser votado na próxima sessão, por isso Benedito Carlos convida a todos os funcionários para se mobilizarem e se manifestarem contra esta proposta do executivo.

De fato, os profissionais da saúde que compareceram na sessão de câmara, reclamaram que muitos ali tem mais de 10 anos de prestação de serviço e não recebem sequer R$1.700, “nós salvamos vidas e não temos reconhecimento”, reclamam.

A secretária de Saúde, Tatiany Pereira informou ao vereador Benjamim que a saúde está sob os cuidados da empresa do Dr. Feres, cujo nome a ela não se recorda, “ela reconheceu as falhas e salientou que está tomando providências para solucionar os problemas, garantindo que serão contratados mais dois médicos. A Secretária também explicou que houve um grande aumento da demanda do ano passado para este, de 60 gestantes, hoje o posto atende 93”, conta.

Mas Tatiany ressalta para o vereador que o contrato com a empresa do Dr. Feres é emergencial e a prefeitura iniciará um novo processo de licitação para contratação de uma nova empresa.

A Secretária também informa que além dos problemas é preciso destacar que o município recebeu “no ano passado uma ótima avaliação no Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica”, finaliza.