Santa Isabel registra redução de violência doméstica

“A certeza da punição inibi a agressão”, afirma o Delegado Dr. Carlos Alberto Oliveira

Segurança Pública Em 18/01/2019 23:04:38

Por Érica Alcântara

Os casos registrados de violência doméstica em Santa Isabel caíram 37%, comparado aos anos de 2017 e 18. Em 2017 foram abertos 118 inquéritos policiais referente a violência doméstica. Em 2018 este dado caiu para 74, sendo que parte destas ocorrências são repetições do ano anterior.

Dr. Carlos Alberto Oliveira, Delegado de Polícia de Santa Isabel, acredita que é possível ler estes dados como uma redução real das agressões. “Não se trata de menos pessoas registrando ocorrências, mas de agressores que tomaram a consciência de que a violência não passará em branco e que haverá, de fato uma punição”, diz.

De acordo com o Delegado, a legislação está mais rigorosa e a violência doméstica leva o indivíduo para a cadeia. “O agressor que descumprir a medida protetiva é preso em flagrante, a pena neste caso é de dois anos e sem fiança”, diz.

Em Santa Isabel das dez medidas registradas em 2018 em uma o agressor avançou os limites. “A mulher solicitou medida protetiva e o ex-marido descumpriu sob o argumento de que estava desesperado para ver os filhos. Foi preso em flagrante e continua na cadeia desde então”, diz.

Dr. Carlos conta que em Diadema existe um projeto pioneiro de atendimento aos casos de violência doméstica, em que o autor da violência é convocado para participar de um ciclo de palestras, seminários e teatro que abordam temas como: alcoolismo, machismo, drogas etc. “É um trabalho maravilhoso e já resgatou muitas famílias, pois trata o agressor e não só a vítima”, diz.

Para o Delegado, a longo prazo seria interessante que em algum período da escola, a educação apresentasse quais são os direitos e deveres de cada cidadão. “Falta cidadania e um entendimento real dos próprios limites, muitas vezes a violência física é consequência de anos de agressão (emocional e intelectual). Com mais informação e leis mais rigorosas podemos reduzir ainda mais estes índices”, afirma.

Casa Rosa

Em janeiro do ano passado, a Prefeitura de Santa Isabel promoveu um encontro de lideranças para criar a Casa Rosa, um projeto multidisciplinar para atender mulheres que procuram por saúde, direitos e oportunidades. Para ampliar a rede de proteção daquelas que sofrem algum tipo de agressão. 

Na época, o Secretário de Segurança Jairo Furini disse que estava empenhado na missão de fazer acontecer a Casa Rosa e reunir profissionais capazes de atender aos anseios do projeto. Janeiro de 2019 e o projeto ainda não é uma realidade. 

Feminicídio

Há casos que são difíceis de identificar uma possível agressão, como o último feminicídio registrado no dia 04/01, no Bairro Jd Portugal, quando Simone Fernandes de 40 anos foi assassinada pelo esposo dentro de casa. Aparentemente João Cândido de Morais arquitetou o plano com antecedência, atirou na mulher e fugiu pedindo carona para o vizinho. No carro, ele ocultou a arma do crime, um revólver calibre 38. Quando o filho do casal chegou em casa, já com a Polícia Militar na porta, atestou que o autor só poderia ser o próprio pai, uma vez que ele é portador de distúrbio mental.

“Neste caso, o autor do crime tem uma doença e as desavenças do casal não eram atípicas o que torna mais difícil a prevenção. Fora isso, mais informação pode salvar uma vida”, destaca Dr. Carlos.