Santa Isabel é referência em atendimento às gestantes

Estado analisou o número de partos realizados em 11 municípios da região em 2016 e estimou a necessidade de leitos obstétricos para cada um deles. Santa Isabel é a única cidade sem déficit

Saúde Em 28/07/2017 22:49:24

Santa Isabel aparece no ranking entre 11 municípios da região como a única cidade sem déficit em leitos obstétricos. O levantamento feito pela secretaria Estadual da Saúde leva em consideração o número de partos realizados em cada um dos municípios durante o ano de 2016. Foi a primeira vez que o Estado admitiu a existência de um déficit nas estruturas das maternidades do Alto Tietê. 

Com base na população total dos 11 municípios e somados os leitos obstétricos da rede pública e particular, o déficit já chega a 292. Deste total, a carência de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Alto Tietê é de 131. 

O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) debateu o assunto na semana passada. A Câmara Técnica de Saúde do Consórcio apresentou um plano de ação com objetivo de minimizar a falta de leitos obstétricos na região. Do déficit de 131 leitos no Alto Tietê para dependentes SUS, 46 são para atendimento de gestantes de alto risco. Guarulhos é a cidade com a maior carência de leito, no total são 152, seguida de Mogi das Cruzes com 43 e Itaquaquecetuba com 39. 

Na semana passada, em matéria publicada pelo Jornal Ouvidor, Guararema aparece como a cidade da região que em 2016 mais investiu do seu orçamento em saúde, foram 35% de investimento na pasta. Mas a cidade que realizou no ano passado 415 partos, deveria ter seis leitos obstétricos, de acordo com a estimava do Estado, no entanto possui apenas três. 

Em Arujá foram realizados em 2016, 1.444 partos, deste total 1.064 são gestantes dependentes do SUS. De acordo com a secretaria de Saúde do Estado, a estimativa pelo número de partos realizados no ano passado, preconiza que Arujá deveria ter 19 leitos obstétricos, no entanto, possui apenas 11. O déficit da cidade em 2016, foi de oito leitos. 

Para a secretaria de Saúde de Arujá, não existe déficit de leitos no município. A média de partos por mês realizados na maternidade pública da cidade é de 86 e a Saúde garante ainda que deste total 60% correspondem a partos normais: “Nossa maternidade realiza partos de risco habituais em nosso município, por isso não existe déficit em nossos leitos. Quando há casos de alto risco contamos com a Central de Regulação de Ofertas do Serviço da Saúde (Cross) e somos referenciados para o Hospital Regional de Itaquaquecetuba”, explica.  

Cidade Referência 

Em 2016, Santa Isabel realizou pela rede pública e particular 715 partos. O governo do Estado indica que o município deveria ter nove leitos obstétricos, mas atualmente possui 19.  A direção da Santa Casa disse que recebeu com muita alegria a notícia de ser a única sem déficit de leitos na região e ressalta que isso é fruto de muito trabalho e investimento: “A pesquisa do Estado vem de encontro com uma auditoria que recebemos nesta semana do Ministério da Saúde, que enviou agentes para fiscalizar exatamente os trabalhos que desenvolvemos no setor de maternidade do nosso hospital. Por dois dias eles ficaram aqui, entrevistaram gestantes, enfermeiros e equipe médica e demonstraram satisfação, principalmente com o número de partos normais realizados por nós”, disse Alexandre Maia Ribeiro, diretor administrativo da Santa Casa. 

A média atual de partos realizados nos últimos dois meses pela Santa Casa foi de 40, deste total 50% foram de parto normal: “É difícil conseguir manter uma média igual entre normais e cesáreas. Por intermédio do programa Rede Cegonha estimulamos, através de palestras e rodas de bate-papo entre gestantes e equipe médica durante o pré-natal, a optarem pelo parto normal e mais humanizado”, ressalta. 

Téo Cusatis, coordenador da Câmara Técnica de Saúde do Condemat, ressaltou que a maior preocupação no momento são a carência de leitos SUS: “Pela primeira vez o Estado está reconhecendo que há uma deficiência nos leitos obstétricos da região e parece estar disposto a estancar este problema. Neste plano de ação vamos defender a ampliação da maternidade da Santa Casa de Mogi das Cruzes, que por ser referência para muitas cidades da região, acaba sempre recebendo mais do que sua capacidade atual que é de 38 leitos”, disse. 

O Condemat também propõe em seu plano de ação contratar mais médicos para o Hospital de Ferraz de Vasconcelos, reabrir a maternidade Stela Maris em Guarulhos e a construção de uma nova maternidade no Alto Tietê. 

 

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