Santa Isabel é a primeira na região a registrar caso de reinfecção por Covid-19

Arujá e Igaratá afirmam não terem casos confirmados nem suspeitos de reinfecção. Já em Santa Isabel, uma paciente confirmada com a doença em março, volta a positivar 5 meses depois

Saúde Em 28/08/2020 21:29:34

por Bruno Martins

Embora ainda muito questionado pelas autoridades de saúde, os casos de reinfecção do novo coronavírus já são uma realidade em vários países do mundo, no Brasil e agora também na região. Na segunda-feira, 17/08, Santa Isabel registrou oficialmente o seu primeiro caso de reinfecção. Trata-se de uma funcionária da Santa Casa de Misericórdia que já havia contraído Covid-19 pela primeira vez em março.

Simone Aparecida Morais Folco tem 29 anos e, há 1 ano e meio, trabalha como técnica de enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa. Em março ela descobriu o vírus através de um teste rápido, ficou no isolamento necessário de 14 dias feito em sua casa e já curada voltou a sua rotina de vida e trabalho, mas o que ela não esperava era que o vírus voltaria quase 5 meses depois. 

“Desde o início desta pandemia eu sempre procurei seguir corretamente as orientações sobre isolamento social e as medidas de prevenção do Covid-19, mas acredito que até por conta da minha profissão, estou suscetível a contrair o vírus com mais facilidade. Só não imaginava que iria contraí-lo duas vezes”, disse.  

Simone relata não ter sentido muita diferença nos sinais e sintomas de um período de contaminação para o outro: “Na primeira vez eu fiquei com os sintomas gripais perdi o olfato e paladar, já desta segunda vez, além de perder o olfato e paladar eu também tive diarreia e vômito, mas não achei o vírus tão agressivo em nenhuma das vezes”, explica. 

O Diretor Clínico da UPA, Dr. Luís Silva é o médico que está acompanhando o tratamento de Simone. Ele explica que os casos de reinfecção são novos e que os estudos sobre os possíveis casos, a nível mundial, ainda estão em elaboração: “O assunto reinfecção ainda é muito novo, o que se pode afirmar é que embora o vírus seja o mesmo, o período de uma infecção para a outra é único. Os sintomas da primeira infecção podem se diferenciar na reinfecção, ser mais leve ou mais agressivo”, diz. 

O médico explica ainda que os pacientes que positivam para o novo coronavírus, apresentando sintomas leves da doença, tendem a não adquirir anticorpos duradouros ao vírus e por isso estão mais suscetíveis a se reinfectarem.

“Acredita-se que um paciente com coronavírus que tenha apresentado um vírus mais agressivo numa primeira infecção necessitando inclusive de uma internação hospitalar, venha ter anticorpos mais duradouros e resistentes que podem deixá-lo imune ao vírus. Já os pacientes com sintomas leves ou assintomáticos apresentam uma imunidade pouco duradoura, de aproximadamente três meses, isso explica um pouco como a nossa paciente veio a se reinfectar”, salienta o Médico. 

Em março, Simone fez um teste imunológico rápido em que detectou IgG positivo, ou seja, ela teve uma infecção viral causada pela Covid-19, porém estava teoricamente curada e imune. Nesta segunda vez, após apresentar sinais e sintomas do coronavírus, ela foi submetida ao teste RT PCR, que detectou que ela está novamente com o vírus presente em seu organismo.

Teoricamente o RT PCR é feito por análise swab, aquela coleta feita via nasal com uso de um cotonete grande, ele serve para dizer se há vírus circulando no organismo e é aplicado a pacientes que apresentem sinais e sintomas da doença com menos de oito dias de infecção. 

Já o IGM IGg mede a resposta imunológica, ou seja, serve apenas para comprovar se as pessoas tiveram ou não contato com o vírus, e sempre é feito em pacientes após o oitavo dia de sinais e sintomas. 

Simone faz isolamento em sua casa e, após este período, deve passar por um novo teste e em seguida retornar às suas atividades. 

A secretária de Saúde de Santa Isabel, Estela Santana explica que não existe tratamento diferenciado nos casos de reinfecção, o tratamento se mantém norteado pelo sinais e sintomas que o paciente apresenta.

“É o nosso primeiro caso e esperamos que seja o único, mas as regras e orientações nada mudam do que já estamos aplicando desde o início da pandemia. Estamos observando o potencial de transmissão deste vírus dia após dia, por isso todos os cuidados devem ser mantidos e redobrados”, reforça Estela.

A Secretária diz que por ser uma notificação compulsória, o caso da paciente reinfectada já foi comunicado ao Grupo Regional de Vigilância Epidemiológica e posteriormente para a Secretaria Estadual de Saúde e ao Ministério da Saúde.

Ministério afirma não existir casos confirmados de reinfecção no Brasil

Em coletiva de imprensa ocorrida na quarta-feira, 26/08, o Ministério da Saúde, por meio do seu diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis, Eduardo Macário afirmou não haver casos confirmados de reinfecção no Brasil: “Até o momento, todos os casos suspeitos de reinfecção pela doença foram investigados e descartados pelas equipes de vigilância epidemiológica dos estados e municípios”, afirmou o Diretor. 

Nesta semana, o Hospital das Clínicas de São Paulo junto com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), iniciou a investigação de sete casos suspeitos de reinfecção pelo novo coronavírus. Um ambulatório foi montado dentro do hospital, para acompanhar exclusivamente estes pacientes. 

Reinfecção no mundo

Na última terça-feira, dois pacientes, um da Holanda e outro da Bélgica foram confirmados, pelos seus países, como casos de reinfecção por Covid-19. Um dia antes, cientistas de Hong Kong informaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) o caso de um homem de 30 anos que teria se reinfectado, quatro meses depois de ter sido declarado curado da doença. Foi a primeira reinfecção do tipo registrada oficialmente a nível mundial.  

Especialistas dizem que as reinfecções podem ser raras e não necessariamente sérias: “Outros coronavírus, como os que causam resfriados comuns, reinfectam as pessoas, então não é surpreendente que o Sars-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, faça o mesmo”, dizem.

Com base nessa análise, Estela reforça ainda que todos os estudos devem contribuir para analisar o comportamento do vírus futuramente, e a possibilidade de eliminá-lo, ou não, podendo ele ainda se manter ativo no organismo por alguns anos: “Esses parâmetros são essenciais para a implantação inclusive das vacinas já em testes, pois são eles que irão determinar o tempo de imunidade que a vacina irá nos proporcionar”, finaliza.