Santa Casa pode fechar Maternidade

Faturamento em 2018 com particulares, R$1.890.000,00 foi usado para custear os serviços públicos

Saúde Em 03/05/2019 20:51:02

O ex provedor da Santa Casa e atual conselheiro da Irmandade, Dr. Luis Carlos Correa Leite foi enfático: - O assunto é sério! Todos os membros da Irmandade poderão ser processados, civil e criminalmente se acontecer um acidente na Santa Casa.

A assembleia da Irmandade ocorrida na última terça-feira (30/04) foi para que a direção do Hospital Gabriel Cianflone (Santa Casa de Santa Isabel) apresentasse os resultados de 2018. Aparentemente os números foram positivos em alguns setores, mas no final representaram um prejuízo de R$180.000,00. Como é possível isso? questionou a maioria dos membros da Irmandade.

Para esclarecer essa e outras questões foi definida a criação de uma comissão destinada a analisar as contas do hospital, setor por setor, propondo o encerramento das atividades nas especialidades que resultam em maior prejuízo, como a Maternidade e a Pediatria. Setores que no entender do Dr. Luis Carlos exigem um plantão permanente e que nem sempre são requeridos ou causam prejuízo em função da baixa remuneração prevista na tabela SUS.

- Só na maternidade o plantão dos médicos custa ao hospital R$60 mil/mês e o número de partos particulares está caindo, seja porque as mulheres estão evitando a maternidade ou porque o hospital não está proporcionando uma atenção adequada para esse público que busca um serviço melhor nos próprios convênios de saúde.

Além dos problemas mencionados relativos aos custos do hospital, outros problemas foram levantados sendo o mais grave a inexistência do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), documento que atesta a segurança das instalações. Essa informação provocou a manifestação do Dr. Luis Carlos lembrando que a rede elétrica do prédio é antiga, além do risco de queda do forro (estuque) em alguns pontos do prédio: - A eventualidade de um incêndio ou a queda do forro não deve ser descartada.

- Pode não ser uma decisão agradável, reafirmou o ex-Provedor, reconhecendo o trabalho desenvolvido pelos atuais administradores que mantêem o hospital funcionando, “mas é uma medida de prudência: Ou cuidamos agora ou o melhor é fechar!”, advertiu lembrando que também a caixa d’água do prédio está sob o risco.

Segundo o relatório sucinto apresentado pelo administrador do hospital, Alexandre Ribeiro, a Santa Casa realizou em 2018, 16.430 atendimentos de especialidades (consultas) pelo SUS, 5.592 atendimentos de pronto socorro, 2.600 internações, 303 partos cesárias e 173 partos normais, 642 cirurgias eletivas. Por sua vez, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) teve 84.048 atendimentos (mais de 231 atendimentos por dia, em média).

Além disso, foram apresentadas pela diretoria as dificuldades com destaque para atrasos no pagamento realizado pela Prefeitura Municipal de Santa Isabel, o que torna difícil a realização de investimentos, pois as verbas particulares que entram são utilizadas para subsidiar os repasses públicos.

A Assembleia decidiu que, diante da difícil situação e para não esperar a situação financeira ficar fora de controle, será constituída uma comissão para realizar uma analise minuciosa dos gastos financeiros setoriais para se verificar os setores onde se tem maior prejuízo para, se for o caso, fechá-lo.

Analisando o atendimento feito pela UPA Dr. Luis Carlos apontou que em 2010, quando foi assinado o convênio para a gestão da Unidade pela Santa Casa, o repasse feito pela Prefeitura era de R$450.000,00 valor que, atualizado representaria hoje R$790.000,00. – Mas a Prefeitura repassa apenas R$458.000,00! Como é possível manter um bom serviço com esses recursos?

O relatório apresentado pela administração trouxe dados positivos, como algumas especialidades médicas que acabam subsidiando o atendimento: cirurgias clínicas, a ortopedia e a oftalmologia. Foi sugerido inclusive o direcionamento da maternidade para Arujá como forma de reduzir o prejuízo, promovendo uma troca de atendimentos. Enquanto Santa Isabel recebe de Arujá os pacientes nas especialidades positivas, Arujá receberia os bebês isabelenses. - Maternidade é questão de escala, de número de partos, que não cobrem os custos fixos. Outros hospitais já fecharam este setor. Simples, as pessoas têm menos filhos. E, quem pode, está indo para outras cidades com melhor hotelaria, observou Dr. Luis Carlos. 

Ao encerramento da assembleia que contou com a presença da maioria dos membros da Irmandade, foi anunciado o Almoço Mineiro que se realizará no dia 19/05, das 12h às 15h no Santa Isabel Esporte Clube ao preço de R$30,00 (trinta reais), com a arrecadação para ajudar o Hospital. Convites podem ser adquiridos na própria Santa Casa.

Ao ser informada do apontamento feito na assembleia da Santa Casa de que a Prefeitura tem atrasado os repasses ao Hospital, a secretária de saúde Estela Santana disse que, por conta da reorganização orçamentária houve efetivo atraso nos repasses durante alguns meses, mas que o pagamento já está regularizado inclusive com o mês de abril quitado.