Santa Casa inicia fechamento de serviços na UPA

Santa Casa inicia corte de custos na UPA. “Vamos manter tudo que está no contrato, que terminará dia 29 de maio”

Saúde Cidades Em 06/03/2015 11:16:15

Mais de duas mil pessoas, desde quarta-feira, dia 04, acessaram no site do Jornal O Ouvidor a notícia de que a Unidade de Pronto Atendimento – UPA de Santa Isabel não tem mais um laboratório exclusivo. A notícia gerou revolta em usuários do sistema público de saúde e a falta deste serviço já reflete negativamente no atendimento. “De segunda para terça-feira, esperamos 14h para receber o resultado dos exames de minha filha”, lastima Marli Alves Rodrigues, moradora do Bairro Jd. Eldorado.
No domingo, dia 1º de março, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia que administra a UPA de Santa Isabel fechou o laboratório de análises clínicas. “Precisamos cortar gastos, já que não houve acordo de aumento de repasse com a Prefeitura Municipal. Mas nós vamos manter tudo que está no contrato”, ressalta o Diretor da UPA, Daniel Frugoli.
Em abril de 2013, quando o laboratório foi inaugurado, a UPA de Santa Isabel foi considerada a primeira Unidade de Pronto Atendimento do Brasil a ter este serviço incluso. Daniel conta que com o laboratório dentro do prédio da UPA os exames que demoravam cerca de três horas para ficarem prontos, passaram a levar de 30 a 40 minutos, agilizando o atendimento e desafogando as filas de espera dentro da unidade. Contudo, o custo para manter este serviço disponível não estava incluso no contrato.
“Para atender as recomendações da prefeitura, a partir do dia 15, infelizmente, vamos iniciar as demissões de: médico, técnicos de gesso, assistente social e enfermeiros”, conta o Diretor com pesar.

“Não temos recurso”, diz o Secretário de Saúde


O prefeito de Santa Isabel Padre Gabriel Bina e o secretário de Saúde Leonardo Aquino Diniz informam que não há recursos para investir mais na UPA. “O Ministério da Saúde (MS) preconiza que os municípios cuidem da prevenção, que zelem pela saúde básica e vamos priorizar este atendimento”, salientaram.
Leonardo diz que a secretaria de Saúde aguarda uma resposta da Santa Casa sobre a contraproposta da prefeitura que, através de ofício, solicitou à entidade que faça a readequação dos serviços para reduzir o custo operacional. “A portaria No 342 do MS diz que municípios com até 100.000 habitantes devem ser atendidos por UPA tipo I, com no mínimo de dois médicos e sete leitos de observação”, explica o Secretário.
Leonardo conta que os exames que eram feitos na UPA serão feitos na Santa Casa e para agilizar o atendimento a secretaria disponibilizou ontem, sexta-feira, dia 06, um veículo da saúde para transportar o material coletado até o hospital.
Segundo o Secretário, houve uma queda no repasse do Ministério da Saúde. “A UPA é responsabilidade do Governo Federal e o MS só qualifica estas unidades nos municípios que cumprem a sua obrigação de investir na atenção básica”, afirma, acrescentando: “Hoje recebemos do Ministério da Saúde R$100 mil para repassar a UPA e nela investimos R$345 mil de recursos próprios”.
Tanto Leonardo, quanto o Prefeito, disseram que não desejam que a Santa Casa deixe de administrar a UPA: “Mas se a entidade não quiser trabalhar nas condições que podemos arcar teremos de abrir licitação para escolher uma nova gestora para o Pronto Atendimento”, concluíram.
Em caso de reclamação sobre o atendimento na saúde Leonardo explica que a população pode contatar a ouvidoria da Saúde pelo telefone (11) 4656-4444.


Impactos negativos na UPA


Na terça-feira, dia 03, a filha de 14 anos de Marli Alves Rodrigues passou mal e foi levada para a UPA. “Fizeram o exame de urina às 21h e explicaram, após medicá-la, que podíamos ir para casa, pois o exame só ficaria pronto dentro de quatro horas. Contudo, recebemos o resultado às 11h30 do dia seguinte”, conta Marli.
Moradora do Bairro Jd Eldorado, Marli afirma que no Posto de Saúde de seu bairro o atendimento é voltado para a quantidade, mais que pela qualidade. “Até para passar com um enfermeiro nós temos que agendar, no mês passado eu agendei uma consulta com a enfermeira. Mas faltei a consulta, pois minha filha passou mal e precisei levá-la a um médico, por isso fui para a UPA”, explica
Marli está revoltada com a demora no resultado de exames, pois na terça-feira sua filha voltou a passar mal e novamente ela levou a adolescente na UPA. “Foi necessário fazer exame de sangue, que foi colhido às 22h do dia 03 e o resultado saiu às 10h do dia 04”, relata.

Impacto das readequações


De acordo com o administrador da Santa Casa, Alexandre Ribeiro, a entidade está analisando a proposta da Prefeitura de Santa Isabel. “Nós podemos readequar o atendimento aos moldes que a administração quer, cortar gastos cortando serviços, mas a administração terá de nos garantir que haverá redução de nossa demanda”, explica, acrescentando: “Não adianta transformar a unidade em UPA tipo I, se nós temos uma demanda tipo II”.

Reportagem: Érica Alcântara