Sala, Copa e Cozinha

por Roberto Drumond

Crônicas Em 22/06/2018 20:40:05

O Brasil perdeu espaço no mundo. No passado a seleção “canarinho” era a única que entrava em campo eletrizando os corações em todas as bandeiras, parando guerras, como um dia fez Pelé. Isso acabou. Focado nos nomes que correm atrás da bola não vimos o que os nossos compatriotas fizeram com a Fifa onde, desde os anos 60 o Brasil dava as fichas. 

Os escândalos protagonizados pelos representantes dos países emergentes e do terceiro mundo que ocupavam espaço na federação do esporte mais popular do mundo fez com que os países ricos assumissem a direção do órgão, administrando os bilhões de dólares movimentados não só durante a Copa. Todos os anos milhares de partidas, campeonatos e torneios em todo o planeta lotam os cofres da entidade hoje ocupada por países europeus.

Literalmente: nossos representantes alinhados com outros tantos fizeram a Fifa de banheiro. Era natural que percebendo os tantos desvios éticos e administrativos cometido pelos antigos dirigentes, outros agissem para trocar as mãos na condução da entidade. É muito dinheiro para ficar sob a gestão de subnutridos éticos.

O resultado esta em campo. Em que pese a dedicação e o esforço dos técnicos e jogadores, regiamente compensados, o Brasil está fora até mesmo do balcão de reclamações como demonstrou o episódio envolvendo o zagueiro Miranda no jogo contra a Suíça. Logo a Suíça, a dona da bola!

Nos próximos dias vamos conviver com as expectativas da Copa. A vitória ou a derrota em campo será irrelevante diante da perda ocorrida com o necessário saneamento realizado na Fifa, promovida pelos serviços de segurança financeira dos países do primeiro mundo. A limpeza demonstrou que nós perdemos o jogo. Perdemos na Copa do Brasil, na construção de estádios inúteis, obras inacabadas e na gestão escabrosa feita pelos nossos representantes, alguns hoje enquadrados em prisões internacionais.

Em campo o desenrolar dos jogos na Rússia esta demonstrando que a seleção brasileira é apenas mais uma com habilidades, eficácia e eficiência, como tantas outras nos times cada dia mais globalizados. Somos apenas mais um time com a camisa amarela ou azul, entre as tantas que optaram por essas duas cores.

Teremos de empreender um grande esforço para recuperar a moral dentro da Fifa. Teremos de conquistar a varanda, a sala e a cozinha e, definitivamente abandonar esse maldito principio de querer sempre levar vantagem, a qualquer preço. Principio esse que nos colocou no banheiro e onde só se fez sujeira. Uso essa palavra para não sujar essa crônica com o palavrão que o Brasil inteiro está falando.