Risco de colapso no sistema funerário

Estimativa não oficial é que cerca de 2% da população de cada cidade não vai resistir ao Covid-19. Na semana em que Arujá registra sua primeira morte confirmada por Coronavírus, a matemática do medo volta a assombrar os isolados

Cidades Em 03/04/2020 23:18:50

Por Érica Alcântara

Graças às medidas de isolamento social adotadas no Brasil, principalmente nos estados mais atingidos – São Paulo e Rio de Janeiro, diferente da Itália em que a taxa de mortalidade pelo Coronavírus beira a 10%, a estimativa é de que 2% dos brasileiros infectados não vão sobreviver a esta epidemia. O sistema funerário pode entrar em colapso, tanto quanto o atendimento em saúde, se ocorrer, não haverá covas para todos os mortos.

O exemplo do colapso do sistema funerário aconteceu nesta semana em Guayaquil, maior cidade do Equador, em que muitas pessoas tiveram de abandonar os corpos dos parentes nas ruas. Depois do Brasil, o Equador é o segundo país da América do Sul com mais casos de Coronavírus.

Matemática do medo

Arujá possui 89.824 habitantes, segundo o último Censo do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Na quinta-feira, 02/04, teve confirmado seu primeiro óbito em decorrência do Coronavírus. Se aplicada a porcentagem de 2%, o número de mortos pode chegar a 1.796.

Em Santa Isabel, com 57.386 habitantes, o número de mortos pode chegar a 1.147.

Em Igaratá, onde o número de habitantes é 9.534, o número de mortos pode chegar a 190 óbitos.  

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em encontro com o procurador geral da República, Augusto Aras, na manhã de quinta-feira, 02/04, ressaltou que o Brasil ainda não entrou no pico de contaminação. “Estamos iniciando o momento de estresse no sistema. Teremos dias difíceis pela frente. Algumas cidades nos trazem mais preocupação como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Brasília, sem perder de vista todas as demais cidades com suas características”, disse Mandetta.

Cemitério e covas

A secretaria de Serviços de Arujá não informou quantas covas a cidade tem disponível, mas garante que possui a vagas suficientes para atender a demanda, “considerando as características demográficas da população”.

Em Santa Isabel, a secretaria de Serviços informa que há 18 covas prontas e espaço liberado para fazer mais 20. Em caso de extrema necessidade, explica que poderá remanejar o espaço, realocando alguns restos mortais para o ossário, entretanto, para isso precisará de um estudo prévio e a orientação do Comitê de enfrentamento do Covid-19 da cidade. “Mas se Deus quiser não vai morrer tudo isso de gente”, diz o secretário de Serviços Rodrigo Butterby.

Em Igaratá, a Prefeitura informa que possui 200 covas disponíveis no cemitério municipal, mas em caso de emergência é possível fazer a expansão do existente.

Velório

Em caso de morte por suspeita de Coronavírus, a recomendação do Ministério da Saúde para todas as cidades é que os sepultamentos sejam feitos de forma direta, sem a realização de velórios. Nos demais casos, o velório é realizado na média de uma hora, mas observando os decretos municipais de estado de calamidade pública para conter o avanço do Coronavírus.

Igaratá possui um único velório municipal e todas as cerimônias são realizadas nele.

Em Arujá os velórios são realizados nas capelas dos cemitérios Central e Municipal II, ou no Velório Central.

Em Santa Isabel, a Prefeitura informa que o velório pode ser realizado no Cemitério escolhido pela família. E determinou que, independente da suspeita ou não de Coronavírus, todos os caixões devem ser lacrados.

As três cidades garantem que possuem infraestrutura para realizar mais de um sepultamento por dia (coveiros, motoristas e demais ajudantes), pois em caso de necessidade pode direcionar servidores de outras pastas para atender a demanda.

Em Arujá os cemitérios ainda não estão abertos 24h. Em casos de mortes na madrugada, o enterro é realizado no dia seguinte.

As comissões de enfrentamento do Covid-19 em Igaratá e em Santa Isabel determinaram que uma equipe fique de prontidão 24 horas, caso seja necessário realizar durante a madrugada o sepultamento de casos suspeitos de infecção do vírus. Em Santa Isabel, já foram realizados sepultamentos às 22h e às 6h.

Preço do sepultamento

Em Arujá, pessoas que têm cadastro NIS ou que comprovem dificuldades financeiras não pagam pelo serviço nos cemitérios públicos. Já nos demais casos, é preciso contratar serviço particular e pagar as taxas de sepultamento: Cemitério Municipal II - R$49,77, Cemitério Central R$133,10.

Em casos de famílias em situação de vulnerabilidade a Prefeitura de Santa Isabel oferece assistência e não cobra a taxa de sepultamento que é de R$29,99.

Somente em Igaratá não há cobrança de taxa para sepultamento.

Fique em Casa

Durante entrevista realizada ao vivo pela página do Facebook do Jornal Ouvidor, a secretária de Saúde de Santa Isabel, Estela Santana, disse que após as declarações do Presidente Jair Bolsonaro houve um significativo aumento de movimento de pessoas nas ruas da cidade. “Isso nos preocupa, pois as medidas de isolamento são a única vacina de que dispomos neste momento para dar conta da demanda que virá”, disse.

José Luiz Monteiro, Prefeito de Arujá, Celso Palau de Igaratá e Fábia Porto, de Santa Isabel usaram as redes digitais oficiais e sociais, principalmente a imprensa regional que é fonte de informação segura, para pedir para a população #FiqueEmCasa.