Remédio da Escabiose

por Roberto Drumond

Crônicas Em 09/11/2018 23:59:55

O nome estranho tem um remédio simples: higiene. Água e sabão. Na semana passada parte da população isabelense se estarreceu com a notícia de ocorrência de sarna em algumas escolas. O nome chic dessa doença de pele é Escabiose.

Ela é reflexo de uma infeliz cultura, a da falta de higiene. Há quem diga que a culpa é da administração pública, e há até mesmo quem atribua à escola a ocorrência do mal. Mas o problema está dentro de casa. Há muito tempo o brasileiro vem atribuindo aos professores e à rede escolar a obrigação de educar. É um erro. 

Cabe à escola e aos professores ensinar, passar conhecimentos, alfabetizar. Mas cabe sobre tudo à família a obrigação de educar e, por educação se entende não somente o se comportar, mas também o zelo com o próprio corpo. O banho, o corte de unhas, o penteado dos cabelos devem fazer parte de uma rotina diária obrigatória para as crianças desde os primeiros anos de vida.

O surgimento de doenças de pele pode ser atribuído a diversas origens, inclusive à exposição ao sol, mas o mais comum nas comunidades mais primitivas é decorrência da falta de higiene. Você, meu Estimado Leitor, deve estar se perguntando porque, diante de inúmeros problemas vividos no Brasil e em nossas cidades, dedico estas linhas a um problema tão pequeno. Afinal a ocorrência não afetou a vida nem de 50 pessoas, talvez um pouco mais porque algumas famílias preferem esconder o acontecimento com a vergonha de enfrentar a verdade.

Dedico-me a escrever sobre esse tema porque para alguns sensacionalistas a ocorrência da doença é de responsabilidade de quem, na verdade, não tem nada a ver com a sua origem. Não quero aqui, de forma alguma, defender a administração pública, aliás, não faço esse papel, mas alertar a todos que há, na base social fatos que evidenciam a baixa cultura, a baixa dedicação da família às crianças.

Se há falta de cuidado elementar das famílias para com as crianças, o que esperar de zelo para com a cidade, o estado e o país? O egoísmo dos pais em possuir mais bens de consumo em detrimento à qualidade de vida de seus filhos, descuidando do que de mais precioso há na comunidade, é porque a sociedade está doente. E não é uma doença física: é moral, cultural. 

E é preciso consciência de que vivemos numa sociedade e, se a família do vizinho não zela por seus filhos, nas áreas comuns todos nós nos encontramos e nos contagiamos das mesmas mazelas.

O desenvolvimento de programas destinados à formação do empreendedorismo, do desenvolvimento cultural pode colaborar na formação dos pais e evitar que a sarna continue a coçar no corpo das crianças, levando até mesmo experientes médicos a duvidar do que assistem.